Ex-presidente do Irã pede libertação de detidos em protestos

O ex-presidente iraniano Ali Rafsanjani pediu, nesta sexta-feira, em Teerã a libertação das pessoas que foram detidas nos protestos contra os resultados da última eleição presidencial, no mês passado. Na situação atual não é necessário para nós ter pessoas nas prisões, deveríamos permitir que elas voltem à suas famílias, disse ele, que também é um líder religioso islâmico, durante seu primeiro sermão desde a eleição.

BBC Brasil |

Reuters

Ex-presidente do Irã Rafsanjani discursa durante a
sexta-feira de orações, em Teerã

"Somos todos membros de uma família. Espero que, com este sermão, possamos atravessar esse período de crise."

Na fala, transmitida ao vivo pela rádio estatal, Rafsanjani também pediu um debate franco na TV e no rádio sobre as eleições de junho e pediu para que as restrições nos meios de comunicação sejam amenizadas.

"Não é necessário pressionar a mídia. Devemos deixar que eles trabalhem livremente dentro da lei", disse ele.

Simpatizantes da oposição estavam presentes no local e gritaram "liberdade'" durante o sermão. Muitos usaram vestimentas verdes, a cor da oposição.

O correspondente da BBC em Teerã, John Leyne, que recebeu ordens de deixar o país no mês passado, disse que, neste sermão, Rafsanjani chegou perto de questionar a autoridade do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.

Importância

Rafsanjani afirmou que um grande número de iranianos ainda duvida dos resultados e que algo precisa ser feito para trazer de volta a segurança a estes eleitores.

"Nosso problema é restaurar a confiança que levou o povo para a votação naquela escala (de alto comparecimento) e que foi manchada. Restaurar aquela confiança, este deve ser nosso objetivo sagrado", afirmou.

EFE

Manifestantes fogem de gás lacrimogêneo jogado pela polícia, em Teerã

Rafsanjani é uma importante figura política no Irã e apoiou o candidato de oposição à presidência, Mir Hossein Mousavi, que foi derrotado nas eleições do dia 12 de junho.

A reeleição de Ahmadinejad levou a uma série de acusações de fraude e a uma onda de protestos e choques nas ruas do Irã que persistiram durante dias e deixaram pelo menos 20 mortos e centenas de presos.

A mais importante figura política iraniana, o líder supremo aiatolá Ali Khamenei confirmou a vitória de Ahmadinejad e exigiu o fim dos protestos. Apesar disto, Mousavi continuou exigindo uma nova eleição e classificando o governo de ilegítimo.

Mais protestos

A polícia iraniana disparou gás lacrimogêneo para dispersar outra manifestação de partidários da oposição nesta sexta-feira, durante as orações na Universidade de Teerã.

As orações de sexta-feira na Universidade de Teerã costumam contar com a participação de milhares de pessoas. E normalmente são transmitidas para o país inteiro.

O correspondente da BBC afirmou que o fato de a televisão estatal não ter transmitido ao vivo o sermão de Rafsanjani demonstra que o governo está extremamente tenso a respeito de suas declarações. Foi a primeira vez em dois meses que ele comandou as orações.

Apesar de não ter se manifestado durante a onda de protestos depois das eleições, integrantes da família de Rafsanjani, incluindo sua filha Faezeh, apoiaram abertamente Mousavi.

De acordo com Jon Leyne, este pode ser um momento importante no confronto entre o governo de Ahmadinejad e membros da oposição.

O ministro do setor de Inteligência iraniano, Gholam Hossein Mohseni Ejehi, pediu na quinta-feira que o "sábio povo iraniano" fosse "vigilante para que as orações de sexta-feira não sejam transformadas em um palco para cenas indesejáveis".

Leia também:


Leia mais sobre Irã

    Leia tudo sobre: irãmousaviprisões

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG