Ex-presidente do Irã critica julgamento de manifestantes

O ex-presidente do Irã Mohammad Khatami criticou o julgamento de mais de cem pessoas presas por envolvimento na onda de protestos que se seguiu às eleições presidenciais de junho. Em seu website, Khatami disse que o julgamento de fachada, iniciado no sábado em Teerã, vai prejudicar a confiança no regime islâmico do Irã.

BBC Brasil |

Os réus, entre eles figuras importantes de antigos governos reformistas, são acusados de vandalismo, provocação de tumulto e conspiração contra o governo.

"O que ocorreu ontem é contra a Constituição, as leis normais e os direitos dos cidadãos", disse Khatami.

'Confissões inválidas'
Muitos dos réus disseram à corte que suas alegações de fraude na votação em 12 de junho eram "infundadas".

Khatami disse que essas confissões foram forçadas e são "inválidas".

"O principal problema com este julgamento é que ele não foi realizado em sessão aberta. Os advogados e os réus não foram informados sobre o conteúdo dos casos antes do julgamento", afirmou o ex-presidente.

A procuradoria, no entanto, disse que os protestos realizados após as eleições, que deram vitória ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, eram parte de um plano ocidental para derrubar o regime clerical iraniano
Acesso restrito
Fotos do julgamento distribuídas pelas agências de notícias iranianas mostram os réus sentados usando uniformes de prisão e cercados por guardas.

A imprensa estrangeira, incluindo a BBC, têm acesso restrito à cobertura dos acontecimentos no Irã.

Os protestos que se seguiram à eleição foram as maiores manifestações públicas no Irã desde a revolução de 1979, que levou ao poder o atual regime islâmico.

Pelo menos 30 pessoas morreram e centenas foram presas.

Na última terça-feira, cerca de 140 dos detidos foram libertados. Mas outros 200 acusados de crimes mais graves ainda estão presos sem julgamento.

Grupos da oposição, no entanto, seguem falando em fraude e acreditam que o número de mortos e prisioneiros seja maior.

O presidente Ahmadinejad tomará posse para o novo mandato na semana que vem.

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