Ex-presidente do Chade é denunciado por crimes contra a humanidade

Dacar, 16 set (EFE).- Treze chadianos e um senegalês denunciaram hoje a um tribunal do Senegal o ex-presidente do Chade Hissène Habré por crimes contra a humanidade e torturas.

EFE |

Os denunciantes, que são apoiados por organizações de defesa dos direitos humanos africanas e internacionais, são vítimas ou familiares de perseguidos pelo regime de Habré.

Todos eles se apresentaram ao tribunal com um volumoso expediente da Polícia política do ex-ditador chadiano, a já dissolvida Direção de Documentação e Segurança (DDS) do Chade.

Estes documentos, descobertos em 2001 pela Human Rights Watch (HRW), revelam como Habré colocou a DDS sob seu controle direto e manteve um estrito controle sobre suas operações.

Segundo afirmações feitas pelas vítimas em entrevista coletiva na capital senegalesa, os documentos mencionam 1.208 pessoas que morreram enquanto estavam detidas pela DDS e a outras 898 que sobreviveram às torturas e maus-tratos do regime de Habré.

"Exigimos que o Senegal nos faça justiça. É a única esperança que nos resta", declarou o presidente da Associação chadiana de Vítimas de Crimes e Repressões Políticas (AVCRP), Clément Abaifouta.

Abaifouta, ex-prisioneiro do Governo de Habré, afirma que foi forçado por seus carcereiros a enterrar mais de 500 prisioneiros que morreram na prisão.

"Estamos lutando há 18 anos para levar Hissène Habré para a Justiça. A maior parte dos sobreviventes morreu", declarou o presidente da AVCRP.

Já o advogado senegalês Demba Ciré Bathily, que coordena o grupo de letrados locais responsáveis por defender os interesses das vítimas, disse que seu grupo acredita que o promotor "faça agora avançar o caso de Hissène Habré por crimes contra a humanidade".

"As provas apresentadas ao procurador do Estado são inapeláveis e mostram claramente que Habré não era somente responsável politicamente, mas também juridicamente, de graves crimes", afirmou Bathily.

Por sua vez, Reed Brody, advogado da HRW, afirmou que Habré conhecia tudo o relacionado aos crimes que foram competidos durante sua Presidência.

"Dirigiu e controlou as forças de segurança que torturavam os que se opunham a seu regime e aos que eram considerados membros de grupos étnicos maus", afirmou Brody.

Segundo o grupo de advogados e organizações pró-direitos humanos que prestam assistência às vítimas, a denúncia perante o procurador-geral da Nação marca uma nova etapa nos esforços para julgar o ex-ditador chadiano pelas atrocidades que foram cometidas durante sua Presidência, entre 1982 e 1990. EFE st/fal

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