Berlim, 9 set (EFE) - O ex-presidente do Partido Social-Democrata Alemão (SPD) Kurt Beck afirmou hoje em entrevista coletiva que sua renúncia à frente da legenda foi motivada por um abuso de confiança de dentro do partido que, no entanto, disse que não aconteceu na cúpula diretiva.

Na primeira aparição pública desde que comunicou sua renúncia no domingo, Beck disse que foi traído no partido por uma pessoa que deu informações falsas, no sábado, à imprensa, o que fez com que começasse a pensar se, "nessas condições, era capaz de seguir à frente do SPD".

Ele disse que sua decisão de abandonar o cargo foi "consciente" e fruto de um "intensivo exame interno".

Beck desmentiu que sua retirada como presidente do partido fosse motivada pelo fato de o atual ministro de Assuntos Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, ter sido indicado como candidato à Chancelaria nas eleições legislativas do próximo ano.

"Tomei a decisão sobre quem devia ser o candidato social-democrata a chanceler há meses, mas não quis torná-la pública até depois do verão (hemisfério norte)", afirmou Beck, que lembrou que sempre apoiou a candidatura de Steinmeier.

Beck lamentou a existência de "pessoas ruins" dentro de "todos os partidos", sem citar nomes em qualquer momento, e acrescentou que a atuação destas "prejudica a democracia" e "desacredita a política".

Segundo ele, a reunião da direção realizada neste final de semana em Potsdam (este da Alemanha) e as conversas com Steinmeier nos dias anteriores ocorreram em uma atmosfera de "prudência, tranqüilidade e amizade".

O ex-presidente do SPD destacou que o ministro e ele já tinham dividido algumas tarefas visando ao pleito legislativo de 2009, mas que as informações vazadas à imprensa dentro do próprio partido fizeram com que revisse a situação e, finalmente, deixasse o cargo.

"Fiquei convencido de que nessas condições não era possível desempenhar meu cargo com sensatez", afirmou.

Beck disse que a decisão foi tomada levando em conta os "melhores interesses" para o partido, mas também "por respeito a mim mesmo", e explicou que, a partir de agora, se centrará em exercer seu cargo de chefe do Governo regional do estado da Renânia-Palatinado (oeste do país).

Beck negou que sua política tenha se desenvolvido em sintonia com a ala esquerda da legenda e insistiu em seu apoio à chamada Agenda 2010, nome com o qual se conhecem as reformas sociais empreendidas pelo ex-chanceler Gerhard Schröder (SPD) e continuadas pela grande coalizão liderada pela conservadora Angela Merkel.

Steinmeier propôs no domingo o ex-vice-chanceler Franz Müntefering para dirigir o partido, uma decisão que deverá ser aprovada em um congresso extraordinário que será realizado em Berlim em 18 de outubro e no qual também se submeterá à votação a candidatura do ministro de Exteriores a chanceler. EFE nvm/db

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