Ex-presidente de Israel recua e se diz inocente de crimes sexuais

O ex-presidente de Israel, Moshe Katsav, se apresentou nesta terça-feira no Tribunal de Jerusalem e pediu o cancelamento do acordo prévio entre seus advogados e a promotoria sobre acusações de crimes sexuais. Katsav afirmou que é inocente e que prefere que seja realizado um julgamento.

BBC Brasil |

Nove meses depois que os advogados de Moshe Katsav chegaram a um acordo com a promotoria, segundo o qual as acusações de crimes sexuais contra ele seriam reduzidas e ele admitiria ter cometido assédio e abuso de poder, o Tribunal de Jerusalém presenciou uma reviravolta dramática no caso do ex-presidente.

A Corte se reuniu nesta terça-feira para discutir a pena, depois que a defesa e a acusação haviam chegado ao acordo. No entanto, Katsav surpreendeu os juizes e a imprensa do país, voltando atrás no acordo.

O procurador geral da Justiça, Meni Mazuz, afirmou estar surpreso com a decisão do ex-presidente e disse que "supõe que Katsav está ciente do significado de sua atitude".

Segundo o site de notícias israelense Ynet, Mazuz instruiu os promotores a preparar uma acusação bem mais grave do que o acordo que havia sido estabelecido entre as partes. Provavelmente o ex-presidente será acusado de estupro e não apenas de assédio sexual.

Líderes feministas que se manifestaram nesta terça contra o acordo diante do Tribunal manifestaram satisfação com a decisão de realizar um julgamento para o ex-presidente.

Rina Bar Tal, presidente do lobby das organizações feministas, afirmou que "agora a voz de todas as mulheres que Katsav agrediu poderá ser ouvida e ele terá um julgamento justo".

Moshe Katsav foi acusado de crimes sexuais por oito mulheres com as quais trabalhou nos últimos 12 anos.

As mulheres, que trabalharam como secretárias e assessoras de Katsav, tanto na presidência como em cargos de ministro que ocupou anteriormente, o acusam de abuso sexual e, em pelo menos dois casos, de estupro.

Se for considerado culpado dos crimes, Katsav corre o risco de ir para a prisão e de perder benefícios no valor de cerca de um milhão de shekels (cerca de R$ 500 mil) por ano, que receberia como ex-presidente.

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