Ex-presidente das Maldivas diz que renunciou sob a mira de armas

Declaração de Mohamed Nasheed desencadeou confrontos entre seus partidários e policiais na capital

Reuters |

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O presidente das Maldivas, Mohamed Nasheed, anuncia sua renúncia na capital, Male (7/2/2012)
O ex-presidente das Maldivas Mohamed Nasheed disse nesta quarta-feira que foi forçado a renunciar sob ameaça de armas. Ele fez um chamado a seu sucessor para que renunciasse ao cargo e disse que iria para as ruas com seus partidários "se a polícia usasse força".

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A declaração desencadeou confrontos entre partidários de Nasheed e policiais, na capital, Male. "Sim, eu fui forçado a renunciar sob a mira de um revólver", Nasheed disse aos repórteres após uma reunião do partido, um dia depois da renúncia. "Havia armas ao meu redor e eles disseram que não hesitariam em usá-las caso eu não renunciasse."

"Eu apelo ao presidente do Supremo Tribunal para investigar a questão dos que estão por trás do golpe. Nós vamos tentar ao máximo trazer um governo legítimo de volta."

A polícia usou gás lacrimogêneo e cassetetes para tentar dissolver a manifestação de protesto de centenas de pessoas e o partido de Nasheed disse que ele também "foi espancado" pelos policiais.

O vice-presidente Mohamed Waheed Hassan Manik tomou posse na terça-feira como presidente das ilhas Maldivas, um dos destinos turísticos mais famosos do mundo por seus resorts de luxo. Manik negou ter feito parte de um golpe contra Nasheed, que renunciou depois de vários dias de protestos da oposição e um motim da polícia.

Não ficou imediatamente claro nas declarações de Nasheed quem estava apontando as armas, mas um assessor afirmou que ele foi pressionado pelos militares.

Nasheed conseguiu a vitória em 2008, prometendo que instauraria total democracia no arquipélago de resorts luxuosos e costumava fazer pronunciamentos entusiasmados sobre os perigos das mudanças climáticas para as ilhas.

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Partidário de Mohamed Nasheed abaixa para pegar lata de gás lacrimogêneo jogada durante protesto nas Maldivas

Ele atraiu a ira da oposição, porém, por prender um juiz que acusou de estar relacionado com o ex-presidente Maumoon Abdul Gayoom, que governou por 30 anos.

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