Ex-presidente da Libéria nega crimes em Tribunal Internacional

Haia, 14 jul (EFE).- O ex-presidente da Libéria Charles Taylor reiterou hoje sua inocência no Tribunal Especial para Serra Leoa, em uma audiência em que depôs como testemunha de sua própria defesa.

EFE |

"Não sou culpado de nenhuma destas acusações", afirmou Taylor, acusado de crimes de guerra e lesa-humanidade por promover o enfrentamento civil que castigou Serra Leoa entre 1991 e 2002, deixando cerca de 50 mil mortos.

Entre as 11 acusações que pesam contra o ex-governante estão os crimes de assassinato e mutilação de civis, o uso de mulheres e meninas como escravas sexuais e o recrutamento forçado de crianças e adultos no conflito em Serra Leoa.

Taylor, presidente liberiano entre 1997 e 2003, ressaltou hoje que estas acusações são baseadas em "más informações, mentiras e rumores".

Falando o tempo todo com grande segurança, o acusado disse também que "ainda está perplexo por estar sentado" no tribunal.

"Não consigo entender como muita gente chegou a acreditar nestas mentiras (...), porque é impossível que ocorresse o que ouviram", afirmou.

Taylor disse que sempre trabalhou pela "justiça e a honestidade" e se declarou um "democrata".

O ex-governante alegou ainda que seus ideais políticos perseguem a "libertação da África, para que os africanos possam resolver seus próprios problemas".

Segundo Taylor, "o terror reinava" na Libéria com o Governo de seus antecessores, e ele levou a "ordem" e a restauração da democracia ao país.

O ex-presidente disse que tomou a Libéria em 1989 na liderança da Frente Patriótica Nacional da Libéria (FPNL) para "trazer uma mudança total, a democracia e o estado de direito".

Além disso, afirmou que, durante esse golpe, que gerou uma guerra civil e causou milhares de mortos e quase 1 milhão de refugiados, "não houve um massacre indiscriminado de pessoas".

Taylor negou qualquer ajuda aos rebeldes da Frente Revolucionária Unida (FRU) na invasão de Serra Leoa, mas admitiu que ofereceu "pequenas quantidades de armas e munição para a proteção" da Libéria, por considerar que essa era sua "obrigação como presidente".

Também negou que tivesse recebido diamantes em troca de colaborar com esse grupo revolucionário, o que foi denunciado pela acusação.

Taylor comentou durante o depoimento sobre sua trajetória familiar e política, e ressaltou que suas origens "foram muito modestas", que sua mãe era uma aborígine africana que tinha trabalhado na casa de sua avó e que foi educado pela madrinha de seu pai.

O ex-governante disse que seu interesse pela política começou durante o período em que viveu nos Estados Unidos, onde se formou em Economia e onde, em 1972, fundou uma associação que reunia diferentes grupos de liberianos.

Taylor alegou que com essa organização já pretendia conseguir uma mudança "política, pacífica e democrática" na Libéria.

Ao falar de sua trajetória, também ofereceu detalhes de como foi organizado o golpe de Estado de 1980 liderado por Samuel K. Doe contra o ex-presidente da Libéria, William R. Tolbert, que foi assassinado.

"Não concordava com as execuções (durante esse golpe), mas não poderíamos perder a oportunidade de significar algo para a Libéria", afirmou.

Os juízes indicaram hoje que o depoimento do ex-presidente liberiano como testemunha deve durar "várias semanas", incluindo o interrogatório da promotoria.

Taylor, primeiro líder africano julgado em um Tribunal Internacional, foi acusado em junho de 2003, e três anos mais tarde foi detido e enviado a Haia para a realização de seu julgamento.

O julgamento, cujo veredicto pode ser conhecido em 2010, começou em junho de 2007, e até o momento 91 pessoas já testemunharam do lado da promotoria. EFE mr/mh

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