Ex-presidente da Finlândia leva Nobel da Paz por seu trabalho de mediador

Anxo Lamela. Oslo, 10 out (EFE).- O Comitê Nobel de Oslo recompensou hoje o trabalho como mediador durante três décadas em conflitos internacionais do ex-presidente finlandês Martti Ahtisaari e o concedeu o Nobel da Paz 2008, em uma escolha de acordo com as previsões.

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O nome de Ahtisaari figurava entre os principais candidatos ao prêmio há anos, especialmente a partir de 2005, quando, através de sua organização Iniciativa para a Gestão de Crise (CMI), contribuiu de forma significativa para a resolução do conflito na região de Aceh, na Indonésia.

A mediação do conflito em Aceh faz parte de uma longa lista que começou com a independência da Namíbia (1989-1990) e que inclui questões do Kosovo e contribuição para resolver problemas de Iraque, Irlanda do Norte, Ásia Central e Chifre da África.

Seus esforços, freqüentemente colaborando com a ONU, ajudaram a conseguir um mundo "mais pacífico" e a impulsionar a "fraternidade entre as nações", seguindo o espírito do fundador dos prêmios, Alfred Nobel, ressaltou o comitê em sua explicação sobre a decisão.

O comitê lembrou que já premiou mediadores internacionais em outras ocasiões, e que Ahtisaari é um "sobressalente" que mostrou a importância que pode ter na resolução de conflitos.

"Este ano queríamos enfatizar a mediação pela paz. Hoje em dia temos problemas por todos os lugares: Iraque, Afeganistão, Sri Lanka e outras áreas com conflitos em diferentes continentes", disse em entrevista coletiva Ole Danbolt Mjos, presidente do comitê.

"Embora o principal seja pôr as condições e criar a paz, também é importante destacar a mediação", acrescentou.

A União Européia (UE) também o parabenizou por sua luta, dentro das Nações Unidas, pela paz e pelo desenvolvimento.

Ahtisaari, nascido em 1937 e presidente da Finlândia entre 1994 e 2000, disse em declarações à rádio norueguesa "NRK" que se sente "muito satisfeito" por receber o prêmio e considerou que sua missão mais importante foi contribuir para a independência da Namíbia, na qual trabalhou durante 13 anos.

O prêmio de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,4 milhão) que receberá, assim como o restante das premiações, serão usados para financiar a CMI, revelou a "NRK".

Embora Ahtisaari fosse um forte candidato a receber o prêmio, as apostas apontavam como principais favoritos dois ativistas dos direitos humanos, o chinês Hu Jia e a advogada chechena Lidia Yusupova.

Jia e Yusupova tinham a seu favor, entre outras coisas, o calendário: em 2008 são completados 60 anos da adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU.

Entre os 197 candidatos ao prêmio deste ano, também foi citada a franco-colombiana Ingrid Betancourt, o presidente da Bolívia, Evo Morales, o opositor cubano Osvaldo Payá e as argentinas Avós da Praça de Maio.

Ele sucederá na lista dos Nobel da Paz o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore e o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, o indiano Rajendra Pachauri, que receberam o prêmio em 2007.

Da mesma forma que a escolha do Nobel de Literatura, o da Paz foi precedido por polêmica, este ano originada pela publicação de um livro do ativista norueguês Fredrik S. Heffermehl no qual acusa o comitê de transgredir a vontade de Alfred Nobel.

Heffermehl considera que o comitê se desviou nos últimos 50 anos, por interesses econômicos e políticos, dos desejos de Alfred, que deixou escrito em seu testamento que o prêmio devia ser entregue às pessoas que contribuíssem para incentivar a fraternidade entre as nações, a redução de armamento e a promoção da paz.

O Nobel da Paz é o único que é concedido e entregue fora de Estocolmo.

Tanto este como os outros cinco prêmios restantes serão entregues em 10 de dezembro em uma dupla cerimônia em Estocolmo e Oslo.

A rodada de prêmios será fechada na próxima segunda-feira com a escolha do Nobel de Economia. EFE alc/fh/rr

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