Ex-presidente afegão que negociava com Taleban é morto em ataque

Em encontro com atual líder do Afeganistão, Obama condenou o atentado contra Rabbani e prometeu prosseguir com sua missão no país

iG São Paulo |

AFP
O ex-presidente afegão Burhanuddin Rabbani, em foto de janeiro de 2011
O ex-presidente do Afeganistão Burhanuddin Rabbani, que atualmente chefiava um conselho do governo criado para negociar a paz com o Taleban, foi morto nesta terça-feira em um ataque suicida em Cabul, capital do país.

Quatro seguranças de Rabbani foram mortos e um conselheiro do atual líder Hamid Karzai ficou ferido.

O suicida entrou na casa de Rabani em Cabul e detonou os explosivos, que estavam escondidos em seu turbante, de acordo com Mohammad Zahir, chefe de investigações criminais da polícia.

Karzai encurtou uma viagem que fazia aos EUA por causa do ataque, que representa um duro golpe aos esforços de paz no Afeganistão, mas se encontrou com o presidente Barack Obama, assim como o previsto.

Durante a reunião, Obama condenou o ataque que matou Rabbani e prometeu que isso não irá impedir os Estados Unidos de prosseguir com sua missão no país. Karzai também declarou no início da conversa com o presidente americano nos bastidores da Assembleia Geral da ONU que a morte de Rabbani "não vai nos impedir" de continuar na busca pela paz.

"É uma perda trágica", disse Obama, que estava ao lado de Karzai. "Nós dois acreditamos que apesar desse incidente, não seremos impedidos de criar um caminho para que os afegãos possam viver em liberdade, segurança e prosperidade."

Segundo Obama, será importante continuar com os esforços para "unir todos esses integrantes da sociedade no Afeganistão, para pôr fim ao ciclo sem sentido de violência."

Karzai agradeceu o presidente dos EUA pelas condolências pela morte de Rabbani, caracterizando-o como "patriota que, como vimos, sacrificou sua vida pelo Afeganistão e a paz em nosso país". "Isso não vai nos impedir de continuar no caminho que temos", afirmou Karzai.

Em Cabul, a embaixada americana corroborou com o pronunciamento de Obama, e afirmou que o assassinato do ex-presidente afegão não abalará a determinação dos EUA de pacificar o Afeganistão.

"Este tipo de ataque covarde apenas reforçará nossa determinação de trabalhar com o governo afegão e a população para acabar com a rebelião e construir um Afeganistão pacífico e próspero", indicou o comunicado da embaixada.

AP
O presidente Barack Obama se encontrou com o líder afegão Harmid Karzai em Nova York

O Paquistão, acusado por ocidentais, principalmente pelos EUA, de apoiar o Taleban, já havia condenado o assassinato de Rabbani e lamentou a perda de um "amigo".

Rabani, líder histórico da resistência à invasão soviética nos anos de 1980, era o chefe do Alto Conselho de Paz, criado pelo governo afegão para tentar encontrar uma solução política para o conflito com o Taleban. Inaugurado em 2010, o grupo conseguiu poucos progressos.

Ele foi presidente do Afeganistão de 1992 a 1996, quando foi forçado a deixar o poder, assumido pelo Taleban. Depois, tornou-se chefe da Aliança do Norte, que voltou ao poder após a queda do Taleban, em 2001.

Considerado uma das figuras mais respeitadas da política afegã, Rabbani foi escolhido para liderar os esforços de negociação com o Taleban. Analistas acreditam que o governo afegão terá dificuldade para encontrar outro mediador à altura do ex-presidente.

Nascido em 1940 em Faizabad, província de Badakhshan, ele estudou direito islâmico na Universidade de Cabul. Fluente em árabe, ele também traduzia poesias persas enquanto trabalhava na Universidade Al-Azhar, no Egito, antes de retornar à capital afegã para juntar-se à Faculdade de Direito Islâmico.

Com AP e AFP

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