Ex-presidenta filipina Gloria Arroyo é presa por suposta fraude

Ex-líder, acusada de favorecer seu partidário no Senado em 2007, ficará presa em hospital onde está internada por doença na medula

iG São Paulo |

A ex-presidenta filipina Gloria Macapagal Arroyo foi presa nesta sexta-feira em um hospital de Manila sob acusação de suposta fraude eleitoral na votação de 2007, informou a polícia. A medida foi tomada em meio a várias tentativas dela de sair do país para obter tratamento médico no exterior.

AFP
Ex-presidenta das Filipinas Gloria Arroyo (C) chega a aeroporto de Manila, onde foi impedida de embarcar em voo para fora do país (15/11/2011)
"Agora está sob custódia do distrito policial do sul", anunciou o superintendente de polícia James Bucayo. "Não a transferimos por seu estado de saúde. Apenas estabelecemos uma guarda policial na entrada do quarto", disse o chefe de polícia.

Pelo menos três policiais entraram no hospital de Saint Luke, no qual Gloria está internada, e executaram um mandado de prisão emitido por um tribunal depois que a Comissão Eleitoral a acusou formalmente de atuar de forma ilegal para conquistar uma cadeira no Senado para um de seus partidários.

Gloria Arroyo tornou-se o segundo líder filipino a enfrentar um julgamento, depois que seu deposto antecessor Joseph Estrada foi sentenciado à prisão perétua sob acusações de corrupção, mais tarde sendo perdoado por ela.

Nas Filipinas, acusados de fraude eleitoral aguardam o processo detidas, sem a possibilidade de libertação sob fiança. Caso seja declarada culpada, Gloria Arroyo, 64 anos, pode ser condenada à prisão perpétua.

Desde o início da semana, Arroyo, que presidiu o país de 2001 a 2010, tentava abandonar as Filipinas, alegando uma emergência de saúde causada por uma estranha doença na medula espinhal. O governo filipino a impediu de deixar o país, apesar de a Suprema Corte ter considerado a proibição inconstitucional.

Segundo a Comissão Eleitoral, Gloria Arroyo ordenou uma grande fraude durante as eleições para o Senado em 2007, impedindo assim a vitória de um candidato de oposição. A fraude teria ocorrido em Maguindanao, província pobre do sul do país, dirigida pelo clã Ampatuan, ligado a ela e que comandava a província com uma milícia privada. Vários integrantes da família estão sendo julgados atualmente pelo massacre de 57 pessoas em 2009.

Gloria Arroyo nega as acusações e acusa o governo de perseguição política. Seu advogado, Raul Lambino, criticou o governo, afirmando que impediu a saída de sua cliente do país de maneira ilegal.

Em uma drama que mobilizou o país, a ex-presidenta - sentada em uma cadeira de rodas e usando um imobilizador de cabeça e pescoço - foi impedida de embarcar em um voo para fora do país na noite de terça-feira. Autoridades disseram que ela ainda estava sob investigação e poderia se tornar uma fugitiva.

Após nove anos no poder, marcados por suspeitas de corrupção, Gloria Arroyo foi derrotada em maio de 2010 por Benigno Aquino , filho da ex-presidente Corazón Aquino. O novo presidente afirmou que uma de suas prioridades seria colocar Gloria Arroyo à disposição da justiça.

*Com AFP, AP e BBC

    Leia tudo sobre: filipinasGloria Arroyomanilafraude eleitoral

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG