O ex-primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra, em exílio desde agosto, criticou com violência os generais que o expulsaram do poder em 2006, durante um discurso transmitido neste sábado por telefone a cerca de 90.000 de seus partidários, reunidos em um estádio de Bangcoc.

Thaksin, que falava desde um local não especificado, foi longamente aclamado por seus partidários, amontoados no estádio de Rajmangala, na periferia leste da capital tailandesa.

Esta era a primeira vez que o ex-chefe de governo se dirigia a seus partidários desde agosto, quando deixou a Tailândia rumo à Grã-Bretanha depois da condenação de sua esposa por fraude fiscal.

Em 21 de outubro, Thaksin foi condenado à revelia a dois anos de prisão por violação das leis sobre a corrupção.

"Não posso voltar à Tailândia porque fui condenado a dois anos de prisão", lembrou o ex-premier, atacando com virulência os generais que o derrubaram em setembro de 2006.

"Eles falsificaram o processo legal para se livrar de mim. Fui eleito duas vezes primeiro-ministro por esmagadora maioria, mas fui derrubado por um golpe de Estado militar e sobrevivi a uma tentativa de assassinato", comentou Thaksin.

Em agosto de 2006, um carro com explosivos foi encontrado perto da residência do ex-primeiro-ministro. Três oficiais do Exército tailandês acusados de estarem envolvidos na ação se entregaram às autoridades em setembro daquele ano, segundo a polícia.

"Eu e minha família fomos atacados, nossos bens foram confiscados e fui condenado à prisão, mas meus problemas não podem ser comparados aos que afetam nosso país", declarou Thaksin.

A Tailândia está profundamente dividida entre os partidários e os opositores do ex-premier.

Seus partidários, que criaram a Frente Unida pela Democracia e contra a Ditadura (UDD), vêm em maioria das regiões rurais do país asiático.

Seus opositores, reunidos na Aliança do Povo pela Democracia (PAD), querem derrubar o governo eleito do Partido do Poder do Povo (PPP), que acusam de ser indiretamente comandado por Thaksin.

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