Ex-premiê volta a governar Bangladesh com maioria inédita

Julia R. Arévalo Daca, 30 dez (EFE).

EFE |

- A ex-primeira-ministra Sheikh Hasina, filha do fundador de inédita na Bangladesh, voltará ao poder com uma maioria curta história do país, que contribui para os temores de "revanche" contra o bloco de sua rival Khaleda Zia.

A Liga Awami, de Hasina e de seus aliados eleitorais, conseguiu 261 cadeiras em um Parlamento de 300, contra apenas 30 do bloco liderado pelo Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP) de Zia, segundo resultados oficiais, ainda provisórios, informados hoje à Agência Efe por um porta-voz do Ministério da Informação.

A vitória, muito mais arrasadora do que sugeriam os estudos de opinião, põe nas mãos de Hasina o Governo que pretende devolver Bangladesh ao caminho da democracia, após quase dois anos de regime de exceção.

Embora os resultados tenham ficado claros já durante a madrugada, nem Hasina nem Zia se pronunciaram a não ser através de porta-vozes, a primeira para pedir "calma" e que se evitassem comemorações até o resultado "oficial", e a segunda para acusar "irregularidades maciças" na votação.

Não é essa a conclusão preliminar dos observadores que vigiaram o processo eleitoral, que segundo disse hoje em comunicado o chefe da missão da UE, Alexander Graf Lambsdorff, foi "administrado profissionalmente" e ocorreu em uma "atmosfera pacífica".

"Se, como tudo parece indicar, as eleições são críveis, todos os partidos devem aceitar os resultados e se comportar conforme o espírito de uma democracia parlamentar", afirmou.

"O povo não podia falar mais claro, foi uma vitória sem precedentes", disse à agência Efe uma fonte diplomática européia, acrescentando que "o fato de Zia ficar praticamente marginalizada, inspira certos temores, pois, ao carecer de força no novo Parlamento, pode lhe ocorrer apelar de novo à rua".

Em sua curta história como nação independente desde 1971, Bangladesh viveu várias ditaduras, mas os Governos civis alternados entre Zia e Hasina desde 1991 não conseguiram consolidar uma democracia estável.

A inflamada rivalidade entre elas, herdeiras das duas grandes dinastias políticas do país, derramou sangue nas ruas com freqüência, a última vez no final de 2006 quando o país se preparava para eleições que ficaram suspensas com o estado de exceção.

Por enquanto, enquanto a apuração dos votos confirmava a grande vitória de Hasina, a calma se mantinha no país.

As missões internacionais em Daca, entre elas o painel da ONU liderado pelo espanhol Francesc Vendrell, se esforçam hoje para assegurar uma transferência tranqüila do poder.

Os chefes de delegações diplomáticas da UE reuniram-se para combinar uma declaração que pedirá as líderes políticas bengalesas a respaldar o resultado das urnas e Hasina a legislar de maneira "justa e inclusiva", disse à Efe uma fonte próxima à reunião.

"A UE confia em que tanto o novo Executivo -que posse em um período de sete a 10 dias- quanto a oposição se atenham às normas do Estado de Direito, o que inclui o respeito aos direitos humanos, ao trabalho da comissão anticorrupção e a independência do Poder Judiciário", segundo a minuta de declaração.

O certo é que, à luz do apoio popular obtido, Hasina poderá não só encurralar politicamente o bloco de Zia, mas inclusive isolá-la, devido aos muitos casos judiciais de corrupção e cumplicidade em assassinato que se abriram contra ela durante os anos de regime interino.

A Liga Awami também poderia prescindir de um aliado político incômodo como o chefe do Jatiya Party e ex-ditador Hossein M.

Ershad.

Ershad assumiu o poder após o assassinato a mãos de militares do marido de Zia, Ziaur Rahman, em 1981 e governou até 1990, quando foi expulsou do poder por uma revolta popular liderada pelas duas mulheres, na única ocasião em que elas se aliaram.

Seu partido contribui com 27 deputados ao bloco de Hasina, cuja Liga alcançou 229 assentos na Câmara.

A "humilhação" de Zia é interpretada como o preço que ela tinha que pagar por seu último mandato, entre 2001 e 2006, quando o país caiu no abismo da corrupção e da tirania, observou hoje o jornal em inglês "The Daily Star".

"Os eleitores, especialmente os jovens que votavam pela primeira vez, estavam famintos de uma mudança que a aliança do BNP simplesmente é incapaz de lhes oferecer", acrescentou.

A fome de mudança e de democracia ficou evidente ontem com o alto índice de participação nas urnas, que segundo o secretário da Comissão Eleitoral, Humayun Kabir, citado pelo portal "Bdnews24.com", superou 80%. EFE ja/jp

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