Ex-premiê Tony Blair defende invasão do Iraque em 2003

Por Michael Holden e Keith Weir LONDRES (Reuters) - O ex-premiê britânico Tony Blair defendeu em tom desafiador nesta sexta-feira a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos em 2003, dizendo que os ataques de 11 de setembro contra Nova York e Washington mostraram que Saddam Hussein precisava ser desarmado ou afastado do poder.

Reuters |

Enfrentando o primeiro questionamento público oficial sobre a razão pela qual enviou 45 mil soldados britânicos à guerra no Iraque, Blair disse que a política de conter o programa de armas de destruição em massa (ADM) de Saddam tinha fracassado e que era preciso enfrentar o ex-líder iraquiano.

A decisão de ir à guerra foi o episódio mais controverso dos 10 anos de Blair à frente do governo britânico, tendo provocado protestos enormes nas ruas e divisões em seu partido, o Trabalhista. A decisão também o levou a ser acusado de ter enganado o público quanto às razões da invasão.

"Não estamos falando de uma mentira, de uma conspiração, engano ou logro -- foi uma decisão", disse Blair, que inicialmente parecia nervoso, mas foi ganhando confiança à medida em que a audiência prosseguia.

"E a decisão que eu tive que tomar era: levando em conta a história de Saddam, levando em conta seu uso de armas químicas, levando em conta os mais de 1 milhão de pessoas cujas mortes ele causou, levando em conta 10 anos de desrespeito às resoluções da ONU, podíamos assumir o risco de deixar que esse homem reconstituísse seu programa de armas?", perguntou.

"Eu acreditei que tínhamos razão em não correr esse risco", acrescentou Blair, dizendo estar convencido da capacidade de ADM de Saddam, apesar de essas armas nunca terem sido encontradas.

A guerra no Iraque reduziu o apoio do público britânico a Blair e seu Partido Trabalhista e, sete anos após a invasão que derrubou Saddam e quase três anos depois de Blair entregar o poder a Gordon Brown, a questão ainda provoca profunda indignação pública.

Sob interrogatório cerrado de um painel de cinco integrantes, Blair, de 56 anos, não lamentou a posição que assumiu na época, aliando-se ao então presidente dos EUA George W. Bush.

Trajando terno azul escuro e gravata vermelha, Blair começou explicando como a visão dele e dos EUA acerca do Iraque mudou dramaticamente após os ataques da Al Qaeda em 11 de setembro de 2001, vinculando a questão de Estados irresponsáveis e ADM.

"Até o 11 de setembro, pensávamos que ele (Saddam) fosse um risco, mas que valia a pena tentar conter esse risco", disse Blair. "O importante sobre esse ataque em Nova York foi que, se eles tivessem tido condições de matar ainda mais pessoas que as 3.000, teriam feito isso. Então, na época, minha posição foi a de que não se podia assumir risco algum com essa questão".

(Reportagem adicional de Kylie MacLellan)

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