Ex-premiê defende que relação de Irã e EUA se desvincule do tema nuclear

Teerã, 6 abr (EFE).- As relações entre Irã e Estados Unidos não devem estar condicionadas ao programa nuclear iraniano, afirmou hoje o ex-primeiro-ministro e candidato à Presidência do país, Mir Hussein Moussavi.

EFE |

Ele defendeu a retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos, mas nunca "a custo de renunciar aos direitos da nação iraniana".

"Não devemos dar um passo para trás em nossos direitos", disse o político moderado, antes de lembrar que a energia nuclear é uma aspiração histórica que se remonta aos tempos do último xá da Pérsia, e que seu país é "signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear".

Neste sentido, Moussavi comparou a disputa nuclear com a luta que o Irã travou na década de 1950 para nacionalizar a indústria petrolífera, então nas mãos de companhias britânicas.

A nacionalização custou o Governo do então presidente do país, Mohamad Mossadegh, deposto em 1953 em um golpe de Estado violento instigado pelos serviços secretos britânicos e executado pela CIA (agência central de inteligência americana).

Moussavi destacou que a solução passa por estudar a forma de utilização civil da energia, à qual o Irã tem direito, e o uso militar, ao que, em sua opinião, o regime iraniano se opõe.

"É preciso desvincular a questão do uso militar do fato que nos temos o direito de ter energia nuclear (para uso civil). Se conseguirmos isto, recuperaremos a confiança. Mas, caso estas duas questões continuem caminhando juntas, não haverá forma de resolver isso", afirmou.

Neste sentido, destacou que o programa iraniano "não representa um problema para a paz mundial", e ressaltou que se os Estados Unidos persistirem em sua acusação, "não será possível chegar a uma solução".

O ex-primeiro-ministro manteve a linha oficial em relação à mensagem de aproximação enviada pelo presidente americano, Barack Obama, e expressou cautela.

"O vocabulário é diferente, mas devemos esperar para ver se as ações correm na mesma linha. Se é assim, negociaremos, se não, não faremos isso", destacou. EFE jm/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG