Ex-premiê da Guiné-Bissau que teria morrido em ataque segue vivo

Dacar, 6 jun (EFE).- O ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau Faustino Fudut Imbali, que teria sido assassinado a tiros em um ataque, ainda está vivo, mas em estado muito grave, segundo emissoras de rádio de Dacar, capital do Senegal.

EFE |

Brutalmente atacado pelas forças de segurança - ou grupos armados desconhecidos-, Imbali foi dado como morto no hospital ao qual foi levado, onde estavam os corpos do candidato independente à Presidência Baciro Dabó e o ex-ministro da Defesa Helder Proença, também acusados de uma tentativa de golpe e mortos ontem.

O assassinato de Dabó suspendeu a campanha eleitoral para as eleições presidenciais do próximo dia 28, que devia começar hoje e duraria 21 dias. A medida pode levar ao adiamento do pleito.

As eleições presidenciais foram convocadas em Guiné-Bissau após os assassinatos, em março, do presidente Vieira e do chefe das Forças Armadas, general Tagmé Na Wai.

Vítima de um atentado com bomba que derrubou parcialmente a sede do Estado-Maior, o general Wai morreu na noite de 1º de março, enquanto Vieira foi assassinado na madrugada do dia seguinte por um grupo de militares que o mataram quando tentava fugir da residência presidencial em Bissau.

Em nota, o Ministério do Interior responsabilizou Dabó e Proença, além de pessoas próximas ao assassinato do presidente Vieira, de planejar um golpe de estado.

Diante da confusão pelos assassinatos de ontem no país, a organização Encontro Africano para a Defesa dos Direitos Humanos (Raddho, em francês) pediu uma reunião continental urgente para investigar as mortes e estudar medidas para "salvar Guiné-Bissau do naufrágio".

"A atual situação do país não favorece uma consulta eleitoral crível em 28 de junho", disse a organização.

O Governo do Senegal, vizinho da Guiné-Bissau, não reagiu ainda, mas a emissora "RFM" informou hoje que as forças senegalesas na fronteira estão em alerta - informação que não foi confirmada oficialmente.

Um porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que estas ações criminosas "são um trágico revés para as tentativas de restaurar o Estado de direito e a democracia no país".

"Não se deve permitir que impeçam a realização da próxima eleição presidencial", completou.

O espanhol Javier Solana, alto representante para a Política Externa e de Segurança Comum da União Europeia (UE), condenou os assassinatos políticos na Guiné-Bissau e exigiu medidas para levar os responsáveis à Justiça e impedir a impunidade no país. EFE st/dp

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