Ex-premiê britânico também teria sido alvo de escutas ilegais

Jornalistas dos veículos The Sunday Times e The Sun, do conglomerado de Rupert Murdoch, teriam tido acesso a correio de voz e conta bancária de Gordon Brown

iG São Paulo |

AP
Ex-premiê pode ter dados de conta bancária violados e telefone grampeado quando era ministro (foto de arquivo)
Jornalistas da subsidiária News International também teriam tido acesso a informações privadas sobre a vida pessoal e a conta bancária do ex-premiê britânico Gordon Brown, ao tentar acessar sua caixa de correio de voz , assim como históricos médicos de sua família.

À rede de TV americana CNN, uma fonte próxima a Brown disse que o ex-premiê acredita que jornalistas dos jornais britânicos The Sunday Times e The Sun - que também fazem parte da News International que pertence à News Corp ., de Rupert Murdoch - tentaram ter acesso a seus dados bancários e mensagens de voz de seu telefone.

Segundo a BBC, o jornal Sunday Times é suspeito de ter obtido informações confidenciais do ex-premiê britânico quando ele ainda era ministro das Finanças.

Ligações telefônicas gravadas e documentos sugerem que detalhes sobre propriedades e finanças foram obtidos de maneira ilegal. Há também evidência de ue um investigador usou um policial para ter acesso a um computador da polícia britânica para conseguir informações sobre Brown.

Documentos mostram tentativas de alguém que trabalhava para o Sunday Times de obter detalhes sobre a conta no Banco Abbey National em janeiro de 2000. Descobriu-se pelo departamento de fraude que um homem fingindo ser Brown ligou cerca de seis vezes para conseguir tais informações.

Em cartas obtidas pela BBC, o Abbey National escreveu ao editor do Sunday Times John Witherow dizendo suspeitar que “alguém do Sunday Times, ou trabalhando para eles, se fez passar por Brown com o objetivo de obter informações do Abbey National”.

Dentre outras informações que poderiam ter sido obtidas de maneira ilegal estão detalhes sobre a compra de uma propriedade do ex-parlamentar Robert Maxwell por Brown, fato que foi publicado na primeira página do jornal.

A família de Brown teme também que tenham sido gravadas conversas com médicos sobre o filho do ex-premiê Fraser, que o jornal britânico The Sun revelou ter fibrose cística em 2006. Os detalhes da doença em tese eram conhecidos apenas por médicos e familiares de Brown.

Nesta segunda-feira, a News International pediu por informações concretas que ajudem a investigar as suspeitas de escutas ilegais do ex-premiê. As revelações foram publicadas quando a editora do Sun era Rebekah Brooks, atual executiva da News International.

Trabalhistas

As buscas de investigadores particulares trabalhando para o News International também atingiram outros políticos trabalhistas, incluindo o ex-premiê Tony Blair e seu assessor Alastair Campbell, o ex-vice-premiê John Prescott e o assesor Joan Hammell, Peter Mandelson quando era secretário de comércio, Jack Straw e David Blunkett como secretários do Interior, Tessa Joweel como secretária de mídia e seu assesor Bill Bush, e Chris Bryant, como ministro para Europa.

A subsidiária controlada por Rebekah Brooks detém os jornais The Sun e The Sunday Times. Além disso, controlava o News of the World , que teve sua última edição neste domingo , em meio ao escândalo de escutas telefônicas ilegais de uma menina desaparecida, políticos e celebridades britânicas, parentes de soldados britânicos mortos e vítimas dos atentados de 2005 em Londres.

Família real

Também nesta segunda-feira foi divulgado que um jornalista do tabloide britânico News of the World tentou pagar a um policial por números de telefone e outros contatos da família real do país, segundo e-mails entregues pela empresa dona do jornal à polícia no mês passado. Os e-mails foram descobertos pela empresa em 2007, mas entregues para a polícia apenas no mês passado.

"Há clara evidência nos e-mails que a segurança da família real foi posta em risco. Fiquei absolutamente chocado quando os li", disse uma fonte ao editor da BBC Robert Peston. "É absurdo que estes e-mails não tenham sido enviados para a policia em 2007", disse a fonte.

Peston diz que, em um dos e-mails, o jornalista especializado na família real do tabloide Clive Goodman pediu dinheiro ao então editor do jornal Andy Coulson para comprar por 1 mil libras (cerca de R$ 2,5 mil) um arquivo confidencial de telefones da família real que incluía todos os seus números, celulares inclusive e números de telefone de todos os empregados domésticos.

A Scotland Yard, a polícia metropolitana de Londres, lamentou a divulgação de informações e disse que elas fazem parte de uma campanha deliberada para sabotar as investigações sobre o caso. Por meio de um comunicado, a Scotland Yard disse estar "profundamente preocupada e frustrada com a divulgação contínua de informação selecionada, do conhecimento de apenas um pequeno número de pessoas, e que podem ter um impacto significativo nas investigações".

A polícia disse que advogados da News International haviam concordado em manter em sigilo as informações durante as investigações “para identificar os responsáveis sem alertá-los”.

*Com BBC e AP

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