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Ex-premiê chef está fora de disputa por cargo na Tailândia

O partido governista na Tailândia (Partido do Poder popular, PPP) anunciou que desistiu de tentar reconduzir o ex-premiê afastado Samak Sundaravej ao poder. O nome de Samak, que foi obrigado a renunciar por causa de sua participação em um programa de TV dedicado à culinária, foi retirado da lista de candidatos do partido para o posto de novo primeiro-ministro do país.

BBC Brasil |

O PPP tinha, antes, manifestado a intenção de querer levar Samak de volta ao cargo. Não está claro se a decisão partiu do partido ou algum dos cinco partidos parceiros de coalizão.

Analistas dizem que a medida deve agradar a críticos que não desejavam a volta de Samak e facilitar a resolução da crise política tailandesa.

Gourmet
Milhares de manifestantes que vinham exigindo a renúncia de Samak em frente à sede do governo na capital, Bangcoc, prometeram continuar o protesto até que um novo premiê seja efetivado.

Samak teve de deixar o comando da Tailândia na terça-feira depois que a Justiça do país considerou uma violação da Constituição o fato de o premiê apresentar, em paralelo às suas funções públicas, um programa de culinária na TV.

O ex-premiê é um conhecido gourmet e chef de cozinha. Em seu programa, entre outras atrações, ele passeia por mercados populares e prova ingredientes e especiarias locais. Pelas aparições, recebia um módico pagamento.

De acordo com a Constituição aprovada no ano passado, funcionários do governo não podem manter interesses comerciais enquanto estiverem no serviço público.

Samak foi obrigado a deixar o cargo, mas, à falta de outras penalidades na lei, o Partido do Poder Popular, o maior do Parlamento tailandês, argumentava que não haveria impedimento legal para que ele fosse reindicado para o cargo.

O ex-premiê enfrentava ainda a possibilidade de ser desqualificado novamente no fim do mês se perder um processo de difamação que corre contra ele.

Crise política
A polêmica ocorre em um contexto de turbulência política que se acentuou nas últimas semanas, quando manifestantes começaram a ocupar prédios do governo em Bangcoc.

O ministro do Exterior renunciou e o Exército se recusou a garantir um estado de emergência decretado após a morte de uma pessoa em choques entre manifestantes, liderados pela Aliança do Povo para a Democracia (PAD), e a polícia.

O PAD, que reúne monarquistas, empresários e a classe média urbana, foi formado meses antes da deposição do ex-premiê Thaksin Shinawatra em um golpe militar em 2006.

Partidários da legenda dizem que o atual primeiro-ministro é uma marionete dos interesses de Thaksin, que fugiu do país para evitar um processo por corrupção.

O rei Bhumibol, muito reverenciado no país, vem se recusando a intervir na crise.

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