Ex-prefeito defende comando no caso Jean Charles

O prefeito de Londres na época em que o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto, Ken Livingston, defendeu os policiais que estavam no comando das operações em julho de 2005. As declarações de Livingston, foram feitas em entrevista à BBC neste sábado, um dia depois de um júri ter dado um veredicto inconclusivo para o caso do eletricista brasileiro, morto pela polícia após ser confundido com um homem-bomba.

BBC Brasil |

Segundo o ex-prefeito, Cressida Dick, que estava no comando da operação, é uma das "mais talentosas" policiais com quem ele já trabalhou, e teria o "potencial" de se tornar a futura comissária da Polícia Metropolitana de Londres.

"A verdade é que eu não sei muito mais hoje do que 48 horas após o evento, uma trágica série de erros. Ninguém pensou que havia uma mente maligna atrás de tudo", disse Livingston.

Pressões

Apesar de reconhecer que a polícia merece críticas, ele argumentou que os policiais nem sempre têm condições de interrogar um suspeito de ser um potencial extremista. "Eu estava próximo daquela operação. As pressões sob as quais as pessoas estavam operando eram inacreditáveis."

"Havia quatro homens foragidos que tentaram cometer atentados suicidas. Nós sabíamos que tínhamos no máximo alguns dias para capturá-los antes que tentassem de novo com sucesso. E, sob essas pressões, erros vão acontecer", disse o ex-prefeito.

Ele acrescentou que Menezes, baleado sete vezes por dois policiais na estação de metrô de Stockwell, foi a vítima de número 53 dos atentados de 7 de julho em Londres.

Mas uma das advogadas da família do brasileiro, Gareth Pierce, disse que foi colocada muita atenção sobre os policiais armados que mataram Menezes. Segundo ela, o foco deveria estar no comando.

"A forma como os eventos que levaram à morte foram conduzidas são desastrosas. Foi desastroso por parte dos policiais mais experientes que tinham um dever público e eram pagos para exercer esse dever de cuidar", disse.

Inquérito

Este foi o quinto inquérito sobre a morte de Jean Charles realizado na Grã-Bretanha. O júri respondeu a 12 questões sobre o caso antes de dar seu veredicto de inconclusivo, nesta sexta-feira.

Os jurados deveriam responder com "sim" ou "não" a afirmações específicas sobre uma série de eventos ocorridos do dia 22 de julho de 2005, para decidir se eles contribuíram ou não para a morte do brasileiro.

A maioria do júri disse duvidar que o policial conhecido como C12 tivesse gritado "polícia armada" para advertir Jean Charles antes de abrir fogo.

Os jurados também discordaram da alegação feita por C12 durante o inquérito de que o brasileiro teria se levantado e se dirigido a ele, mesmo com uma arma apontada para sua cabeça. Eles ainda rejeitaram a afirmação de que o comportamento de Menezes havia levantado suspeitas.

Veja o infográfico:

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