Exposição tenta reconstruir a imagem do czar da Rússia, 90 anos após execução

O boom econômico, a abertura de bibliotecas populares e a construção de ferrovias em todo o império russo são os temas da exposição inaugurada esta semana, em Moscou, sobre o czar da Rússia, Nicolau II, executado pelos bolcheviques há 90 anos, que pretende reconstruir a imagem de um soberano esquecido.

AFP |

Contrariamente a inúmeras outras manifestações dedicadas desde à queda da URSS ao último imperador russo, esta, chamada de "Coroa do Czar", no Museu da Catedral do Cristo Salvador, no coração de Moscou, marca uma homenagem para apresentá-lo como um dirigente progressista e eficaz.

Resgatado pela primeira vez dos Arquivos do Estado, um documento lembra por exemplo que o jovem czar, assim que assumiu o trono, teve a iniciativa de lançar a Conferência Internacional da Paz, a de Haia em 1899, na qual participaram 27 Estados.

Diversas fotos mostram o czar inspecionando seu imenso império: ele ao lado de vários engenheiros diante de uma "carruagem da nova geração" em 1913, quando a Rússia já era o primeiro produtor de trigo do mundo. Em outra imagem, ele aparece num campo onde estava começando a ser construída uma ferrovia.

Uma ordem assinada de próprio punho em setembro de 1915 lembra que após as primeiras derrotas do Exército russo para os alemães na I Guerra Mundial, Nicolau II assumiu ele mesmo a frente do exército.

Outras fotos e objetos da exposição mostram, além da família do imperador, as obras empreendidas por ele, como as "bibliotecas populares", abertas em 1915, após a interdição por Nicolau II da interdição da venda livre de álcool em tempos de guerra.

"Na época, um habitante em sete do planeta se dizia herdeiro de Nicolau II, agora somente um em 50 é russo", lamentou o historiador Piotr Moultitatouli.

"É muito importante que os russos se lembrem que eles sção filhos de um Império", comentou o historiador, ele próprio bisneto do cozinheiro do último czar, Ivan Kharitonov, morto com a família do imperador na noite de 16 a 17 de julho de 1918.

A Rússia, onde os membros da família imperial foram canonizados como mártires em 2000 pela Igreja ortodoxa, ainda não adotou oficialmente uma postura sobre o papel de seu último czar.

Os restos da família imperial, encontrados em 1991, foram embalsamados em 1998 em Saint-Pétersbourg, gerando muita polêmica sobre sua autenticidade.

A corte Suprema da Rússia se recusa a reabilitar Nicolau II, por considerar que ele e sua família não foram vítimas de repressões políticas, mas de um "abuso de poder".

ml/lm

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