Exposição no Marrocos mostra presença árabe na América do Sul

Alejandra Linares Rivas. Rabat, 28 jun (EFE).- A influência árabe na América do Sul está em exibição no Marrocos na exposição Amrik, que até o próximo dia 4 mostra em Rabat fotos desse legado que começou a se manifestar com o desembarque de portugueses e espanhóis no Novo Mundo.

EFE |

Na parte histórica da capital marroquina, as 100 imagens revelam a herança que os árabes deixaram em "Amrik", nome com o qual batizaram o novo continente.

A exposição foi inaugurada em Brasília em maio de 2005 por ocasião da primeira Cúpula de Chefes de Estado da América do Sul e dos Países Árabes (Aspa) e já passou por São Paulo, Quito, Nova York, Madri e Cairo, entre outras cidades.

Agora, ela chega ao Marrocos pelas mãos da embaixada do Brasil no país e do Ministério da Cultura marroquino.

"A passagem de 'Amrik' por Rabat tem o objetivo de mostrar também para os marroquinos que as cúpulas árabe-sul-americanas, como a ocorrida no Catar no final de março, não são unicamente uma ideia política, mas respondem a um fenômeno histórico", explicou à Agência Efe o embaixador brasileiro em Rabat, Virgilio Moretzsohn de Andrade.

Por isso, esta exposição reúne o trabalho de 23 fotógrafos de Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Equador, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai, que evidenciam as influências árabes em todos os âmbitos da vida cotidiana da América do Sul.

O vocabulário, os costumes, a música e a gastronomia destes países ficaram marcados pela chegada dos imigrantes de origem árabe entre o último quarto do século XIX e o início do século XX.

Grande parte da herança árabe chegou à América do Sul por meio dos portugueses e dos espanhóis, especialmente pela mistura que ocorreu na Península Ibérica entre Oriente e Ocidente durante o período em que a região viveu sob domínio muçulmano, na Idade Média.

Por outro lado, a América do Sul quase não deixou marcas nos costumes árabes, já que, como ressaltou Moretzsohn, "a América sempre foi um continente receptor de imigrantes e, apenas com as crises das últimas décadas, começou um fluxo contrário, mas a emigração rumo aos países árabes é muito pequena".

Um exemplo destacado é que, enquanto uma comunidade de quase dez milhões de pessoas de árabes e descendentes vive hoje em dia no Brasil, os sul-americanos que partem para os países árabes o fazem para voltar a suas raízes.

"Amrik" procura a origem das reminiscências árabes que continuam arraigadas na cultura sul-americana, como nos instrumentos que são a base de diversos estilos musicais tradicionais brasileiros e nos azulejos e mosaicos característicos da arquitetura mourisca.

A exposição exibe em fotografias a mistura cultural que leva a perder a noção da localização geográfica, já que mostram lojas de vestimenta oriental, espetáculos de dança do ventre, mesquitas, igrejas ortodoxas de rito oriental, festas familiares e momentos de quietude cotidiana.

Como explicou à Efe o embaixador brasileiro, "'Amrik' é um mosaico de evidências emblemáticas de que o mundo árabe ajudou a moldar a identidade sul-americana" e uma aproximação das fronteiras entre ambas as culturas, tão separadas geograficamente, mas com uma proximidade explícita. EFE alr/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG