Exposição mostra obsessão de Rodin com erotismo

O escultor francês Auguste Rodin (1840-1917) sentia fascinação pela nudez. Ele defendia a arte e o erotismo sem tabus e chegou a estar obcecado com a nudez como fonte de inspiração.

BBC Brasil |

Esse fascínio está à mostra em Madri na exposição Rodin, o corpo nu, aberta nesta terça-feira na Fundação Mapfre.

A mostra tem 33 esculturas em mármore, bronze e gesso, incluindo O Beijo, uma de suas obras mais famosas, e 90 ilustrações, principalmente dos últimos anos de atividade do artista.

Em 1900, aos completar 60 anos, Rodin começou uma nova etapa. Investiu nos desenhos com grande carga erótica. As modelos passeavam nuas pelo atelier até que ele decidisse qual era a postura certa para a pose.

"Não são rascunhos preparatórios para as esculturas. Estão feitos de uma maneira muito rápida, olhando diretamente para a modelo e não para o papel", afirma o curador da exposição, Pablo Jiménez Burillo.

"São peças muito delicadas. Representam uma forma de expressão onde ele fala do erotismo de uma maneira mais explícita."

Tabus

Usando o nudismo como inspiração, Rodin pretendia acabar com tabus. Ele abordou em suas obras a homossexualidade feminina, a masturbação e desenhou São João Batista nu.

A mostra de Madri está dividida em duas partes: esculturas e ilustrações.

"São histórias diferentes, inevitavelmente conectadas, que contam como um grande artista transformou para sempre a representação do corpo humano", explicou Burillo.

Considerado o maior escultor do século 20, segundo os organizadores da exposição, Rodin foi ainda um revolucionário porque as obras dele são as primeiras a prescindir dos padrões clássicos para esculpir, pintar ou desenhar um ser humano.

"Ele eliminou todas as referências do que até então era algo indiscutível: o padrão clássico. Com Rodin as esculturas passam a ser de carne e osso. Se humanizam", definiu o curador.

Além da escultura em gesso O beijo (Le baiser), a mostra Rodin, o corpo nu exibe outras peças famosas como Mãos de Amantes (Mains d'amants) e Andrômeda (Andromède).

A mostra ficará aberta ao público até o começo de julho na Fundação Mapfre em Madri, com entrada gratuita.

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