Ex-porta-voz de Cameron é libertado após pagar fiança e depor por 9 horas

Coulson havia sido detido por envolvimento em escândalo de grampos de tabloide britânico; ex-editor Goodman também foi solto

iG São Paulo |

O ex-editor do jornal News of the World Andy Coulson, ex-porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, foi solto nesta sexta-feira sob fiança após depor durante nove horas em uma delegacia de Londres. Ele terá de voltar a se apresentar à Justiça em outubro.

AP
Andy Coulson, ex-porta-voz do premiê David Cameron, deixa delegacia em Londres. Ele foi interrogado por 9 horas por envolvimento no escândalo de grampos de tabloide
Segundo a agência britânica Press Association, também foi posto em liberdade o ex-correspondente para assuntos da realeza do News of the World Clive Goodman, também detido nesta manhã . Em 2007, Goodman havia sido condenado a quatro meses de prisão pelo escândalo das escutas do jornal.

Coulson foi detido nesta manhã sob suspeita de corrupção e interceptação de telefones enquanto era diretor do News of the World, quando jornalistas do dominical praticaram grampos telefônicos para obter exclusivas. O ex-editor renunciou em janeiro ao cargo de porta-voz do primeiro-ministro britânico.

Em breves declarações aos jornalistas que o aguardavam na saída da delegacia de Lewisham, o jornalista declarou que tinha prestado declarações voluntariamente e que, "apesar de ter muitas coisas que quero dizer, agora não posso".

Com 43 anos, Coulson sempre descartou qualquer envolvimento nas atividades ilegais do tabloide, que dirigiu entre 2003 e 2007, quando as escutas foram realizadas. Minutos depois, Goodman foi posto em liberdade, após ser detido sob suspeita de corrupção. Ele também terá de apresentar-se novamente à delegacia em outubro.

O presidente do grupo News International (divisão responsável pelos jornais britânicos da News Corp. ), James Murdoch - filho do magnata Rupert Murdoch -, anunciou na quinta-feira que o News of the World, o de maior tiragem do Reino Unido, publicará neste domingo sua última edição .

Envolvimento do governo britânico

Diante da polêmica causada pela proximidade de Coulson e Cameron, o premiê determinou nesta sexta-feira a abertura de duas investigações sobre o caso, uma judicial e outra sobre a ética do jornalismo britânico , para que "não reste nenhum resquício por remover". Cameron admitiu que a decisão de contratar Coulson foi "somente" dele e assumiu "toda a responsabilidade" pelo fato.

Em coletiva concedida em sua residência oficial de Downing Street, o primeiro-ministro disse que a investigação, que será conduzida por um juiz, terá o objetivo de estabelecer em profundidade todo o escândalo, mas não começará até o fim da investigação policial em curso pela Scotland Yard.

Ao mesmo tempo, Cameron prometeu uma segunda investigação, que começará em breve, para avaliar a ética e a prática do jornalismo britânico após ser revelado que até 4 mil pessoas teriam sido vítimas das escutas telefônicas ilegais do tabloide. Em sua opinião, a chamada Comissão de Queixas da Imprensa, que supervisiona a ética jornalística, falhou no escândalo e, por isso, é necessário contar com um "novo sistema".

Essa segunda operação deverá ser independente e terá de avaliar "como os jornais são regulados". "Terá de ser independente do governo, sobretudo para que a população saiba que os políticos não  tentam controlar ou amordaçar a imprensa, que tem de ser livre para que os políticos possam prestar contas", disse.

Cameron também afirmou que é preciso "chegar ao cerne" do problema, além de esclarecer a atuação da polícia após a revelação de que agentes receberam dinheiro de jornalistas do tabloide para grampear telefones celulares.

*Com EFE

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