Ex-porta-voz de Cameron continuou recebendo dinheiro de tabloide

Segundo BBC, Andy Coulson recebia ao mesmo tempo salário do News of the World e do Partido Conservador

iG São Paulo |

AP
Andy Coulson, ex-editor do News of the Wold e ex-porta-voz de Cameron, em foto de 2010
Andy Coulson , ex-editor do extinto tabloide britanico News of the World preso sob suspeita de envolvimento no escândalo de grampos ilegais , continuou recebendo grandes quantias de dinheiro depois de ter deixado o cargo no jornal parte do conglomerado News Corp. , de Rupert Murdoch.

De acordo com a BBC, Coulson continuou sendo pago pelo jornal mesmo quando já não fazia parte do corpo de funcionários do tabloide e já estava trabalhando como porta-voz do primeiro-ministro David Cameron e diretor de comunicação do Partido Conservador britânico, em julho de 2007. Os pagamentos seriam parte de um pacote de rompimento com a empresa e de um “acordo de compromisso”.

Os pagamentos previstos em contrato teriam sido feitos a Coulson até o fim de 2007, o que significa que o jornalista continuou sendo financiado pela News International – subsidiária britânica da News Corp. por meses quando já era porta-voz de Cameron.

Um membro sênior da legenda de Cameron na época disse que não sabia da relação financeira de Coulson com o tabloide britânico quando já era empregado do Partido Conservador.

Coulson deixou o cargo na News International em 26 de janeiro de 2007 e foi apontado como diretor de comunicação do Partido Conservador em 31 de maio de 2007, de acordo com a BBC. Ele recebia cerca de 275 mil libras (R$ 725,67 mil) por ano do partido do premiê britânico.

Prisões

Na semana passada, a polícia britânica deteve a 15ª pessoa no caso de grampos ilegais do News of the World. Foi preso o detetive de 51 anos de idade sob suspeita de “divulgação de informação não autorizada”. Além da detenção, o oficial também foi suspenso depois de ter sido solto sob fiança.

Além dele e de Coulson, outras figuras importantes foram presas, como Rebekah Brooks , ex-diretora do jornal e ex-chefe-executiva da News International, braço britânico da News Corp. Todos os detidos anteriormente foram soltos sob pagamento de fiança.

Uma carta escrita em 2007 pelo ex-repórter do tabloide Clive Goodman acusou a direção do jornal de saber e apoiar o uso de escutas ilegais para obter informações confidenciais.

Na carta endereçada ao diretor de Recursos Humanos da News International, Daniel Clocke, o ex-repórter afirmou que os grampos eram “amplamente discutidos” em reuniões editoriais e que ele não poderia ser demitido porque atuava com o consentimento de seus superiores. “A decisão é perversa porque as ações que levaram a essa ação criminal foram feitas com conhecimento e apoio total (da direção). E é inconsistente porque outros membros da equipe estavam fazendo o mesmo”, escreveu no documento divulgado na terça-feira pelo Parlamento britânico.

*Com BBC

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