Ex-policial volta à Argentina após depor em julgamento sobre caso da mala

Buenos Aires, 9 out (EFE).- A ex-policial argentina María Luján Telpuk retornou hoje a seu país satisfeita após ter dito a verdade à Justiça dos Estados Unidos sobre a descoberta dos US$ 800 mil não declarados com que o venezuelano Guido Alejandro Antonini Wilson tentou entrar em Buenos Aires em 2007.

EFE |

Telpuk também admitiu que ficou "muito incomodada" que a Alfândega argentina tenha desmentido que um agente desse organismo tenha pedido que ela deixasse seu posto de trabalho quando chegou o avião que levou Antonini Wilson a Buenos Aires, tal como ela afirmou perante um tribunal de Miami.

"Minha avaliação final é muito positiva", declarou aos jornalistas sobre seu comparecimento no julgamento do caso da mala a ex-agente da Polícia de Segurança Aeroportuária logo após chegar à capital argentina procedente dos EUA.

Telpuk declarou em duas ocasiões no julgamento em Miami contra o venezuelano Franklin Durán, acusado de atuar nos EUA como agente de seu país para que Antonini Wilson não revelasse a origem e o destino do dinheiro.

Perante o tribunal, Telpuk confirmou que Antonini Wilson disse ser o dono da mala com US$ 800 mil em Buenos Aires em agosto de 2007.

Desse modo, a ex-agente contradisse a versão do venezuelano, que afirmou que pertencia a um funcionário do Governo argentino e que o dinheiro estava destinado à campanha que levou Cristina Fernández de Kirchner à Presidência da Argentina.

Em comunicado divulgado ontem, a Alfândega da Argentina defendeu sua atuação no caso da mala, ao destacar "a total colaboração" de seus funcionários "para elucidar" os fatos.

"Não gostei e me pareceram muito negativos os comentários que fizeram sobre as pessoas na Alfândega. Fiquei muito incomodada por terem dito coisas que não foram desse jeito", deixou claro Telpuk antes de confirmar que o fiscal aduaneiro Jorge Lamastra pediu a ela que deixasse seu posto quando o avião com Antonini Wilson chegou a Buenos Aires.

A ex-agente também reiterou que, ao chegar a Miami, agentes do FBI (polícia federal americana) lhe ofereceram asilo e emprego nos EUA em troca de modificar seu testemunho no julgamento realizado no país pelo caso da mala.

"Assim que cheguei ao aeroporto me tiraram da fila e me trancaram em um escritório com três pessoas do FBI, foi um momento terrível.

Disseram que me ofereceriam asilo político se tivesse medo de voltar à Argentina", disse.

"Tenho certeza que queriam que não testemunhasse contra Antonini Wilson", disse, depois que o Governo argentino qualificou de "coação e suborno" a oferta que, segundo Telpuk, foi feita por agentes do FBI. EFE hd/wr/plc

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