Ex-policial turco diz ter matado mil pessoas em nome do Estado

Ancara, 22 out (EFE).- A confissão do assassinato de cerca de mil pessoas por um policial reformado marcou as manchetes dos jornais turcos de hoje, um dia antes da segunda sessão do julgamento contra a rede golpista nacionalista Ergenekon.

EFE |

Em declarações ao canal Star, o ex-policial Ayhan Carkin disse que "pode ter matado mil pessoas em nome do Estado" durante os anos 90 e acrescentou que a "rede Ergenekon", estava ligada a esses crimes.

O julgamento contra a Ergenekon começou na segunda-feira na prisão de Silivri, em Istambul, mas precisou ser interrompida por causa do caos que em que se transformaram as pequenas salas de audiência, motivando o ministro da Justiça, Mehmet Ali Sahin, a oferecer hoje o ginásio poliesportivo da prisão.

Os acusados no processo (generais de alta categoria, políticos ultranacionalistas, professores, jornalistas e mafiosos) estão acusados de formar uma rede terrorista que, através de atentados e assassinatos, tentava criar o ambiente propício para justificar um golpe militar.

Essa nova ordem militar teria como prioridade "proteger a integridade territorial e o caráter laico do Estado" dos curdos e do Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP).

O ex-policial Carkin foi julgado no processo de Susurluk, escândalo político em que se descobriram ligações entre o Governo, as forças armadas e o crime organizado, em 1996, mas a pena de morte que recebeu foi modificada para apenas três anos e meio de prisão.

O ex-policial justificou seis homicídios dizendo que recebia ordens e que ele achava que eles eram parte da política de Estado.

"Tínhamos que eliminar aqueles que cooperam com o terror. Como você teria feito? Não se pode conseguir resultados com a lei.

Entende o que quero dizer?", alegou.

Carkin era especialista em operações "antiterroristas" contra curdos ou militantes da esquerda: assassinatos limpos e rápidos, cometidos em 5 minutos.

"Sempre havia de 7 a 18 balas no corpo da vítima e uma pistola junto ao morto para dar a impressão que tinha mantido um tiroteio com a Polícia", informou hoje o jornal "Sabah". EFE amu/jp

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