Ataques foram lançados contra posto militar da União Africana, que está presente no país para manter governo interino no poder

Duas explosões deixaram pelo menos oito mortos nesta quinta-feira no aeroporto de Mogasdício, capital da Somália, segundo moradores.

Testemunhas disseram que um militante suicida atirou um carro-bomba contra um posto militar da União Africana, em frente ao aeroporto, e uma segunda explosão foi ouvida logo depois dentro do terminal. Em seguida, segundo esses relatos, houve um tiroteio.

Dois corpos são vistos em frente de aeroporto de Mogadíscio após ataques
AP
Dois corpos são vistos em frente de aeroporto de Mogadíscio após ataques
"O carro investiu violentamente contra o posto das tropas da Amisom (missão de paz africana) na porta do aeroporto", disse o comerciante Mohammed Abdi à Reuters, acrescentando que era possível ver colunas de fumaça preta se erguendo. A polícia confirmou o ataque.

Na quarta-feira, o governo interino da Somália havia alertado para uma onda de atividade rebelde, por causa do fim do mês islâmico do Ramadã, dedicado ao jejum.

"Vi quatro soldados da União Africana sendo levados sangrando na porta (do aeroporto)", disse Abdi. "Pelo menos oito corpos, a maioria de soldados, estavam caídos no chão."

Uganda e Burundi têm cerca de 7 mil soldados em Mogadíscio, com a principal tarefa de proteger o presidente, o porto marítimo e o aeroporto de ataques de insurgentes islâmicos. O governo somali na prática domina apenas poucos quarteirões da capital.

A Amisom não se manifestou imediatamente sobre o ataque. O grupo insurgente Al-Shabab disse que divulgaria uma nota sobre o incidente.

Abdi Muse, funcionário do aeroporto, afirmou que passageiros e funcionários fugiram em pânico enquanto os tiros reverberavam dentro do prédio. Testemunhas disseram que soldados da União Africana confrontaram os militantes no lado de fora do aeroporto.

Segundo o Acnur (agência da ONU para refugiados), mais de 230 civis já foram mortos na atual onda de violência em Mogadíscio, que começou em 23 de agosto, quando o Al-Shabab prometeu intensificar sua "guerra santa" contra o frágil governo local.

"Não podemos desprezar a possibilidade de um (conjunto de ataques) espetacular do Al-Shabab no Eid (festividade do fim do Ramadã), para encerrar uma ofensiva que tem sido infrutífera e desesperada", afirmou o Ministério da Informação na quarta-feira.

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