Explosões e mortes ofuscam festa da independência na Colômbia

Fernando Muñoz. Tame (Colômbia), 20 jul (EFE).- O início das comemorações pelos quase 200 anos da independência da Colômbia foi ofuscado pela descoberta de um carro-bomba e a morte de três pessoas numa explosão no departamento de Arauca, na fronteira com a Venezuela, onde presidente Álvaro Uribe foi comandar os festejos.

EFE |

Horas antes de Uribe assistir a um desfile militar e a um show pelos 199 anos da independência do país, dois supostos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e uma criança morreram na explosão da bomba que os rebeldes tentavam instalar numa bicicleta num vilarejo do município de Tame (nordeste).

Fontes consultadas pela Agência Efe confirmaram que a explosão da bicicleta-bomba obrigou as autoridades a reforçarem as medidas de segurança para a parada militar de hoje.

Os guerrilheiros manipulavam os explosivos numa casa próxima à parte alta da localidade de Tame quando a carga foi acionada acidentalmente. A criança que acompanhava os guerrilheiros, de apenas 5 anos, ainda chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Soldados do Exército já chegaram à região. Nas últimas horas, as tropas também detiveram dois guerrilheiros das Farc na cidade vizinha de Arauca, capital da província de mesmo nome. No momento da prisão, os rebeldes preparavam um carro-bomba.

Na operação, também foram apreendidos quatro quilos de amonal e outros explosivos que aparentemente seriam usados durante as comemorações pela independência. Fontes militares confirmaram ainda a morte de um rebelde numa localidade remota de Tame. Com o guerrilheiro, foram encontradas armas, munição e um computador.

Moradores da cidade denunciaram que as Farc impediram a circulação dos ônibus intermunicipais devido à chegada à região de centenas de militares. Há relatos até de que dois táxis foram atacados na estrada que une Tame à Saravena, também no departamento de Arauca.

Essa região petrolífera, na fronteira com a Venezuela, já foi reduto de paramilitares do Exército de Libertação Nacional (ELN) e de guerrilheiros das Farc. A presença constante de traficantes de drogas e de representantes desses grupos chegou a causar graves problemas nas relações diplomáticas entre Colômbia e Venezuela.

No discurso que fez hoje, Uribe disse que, há alguns anos, não teria conseguido uma organizar uma festa em Tame como a que foi preparada para hoje.

Mas, "graças ao heroísmo dos soldados e policiais da pátria, Arauca está ganhando uma nova independência em relação a essa forma de escravidão que tinha se apoderado da região que é o terrorismo", acrescentou o chefe de Estado.

"Vamos homenagear os soldados e policiais da Colômbia de hoje, que estão nos libertando de uma violência que maltratou muitas gerações de colombianos e havia escravizado Arauca", disse.

O líder aproveitou a visita para puxar a cavalgada que 300 integrantes do Exército e da Polícia farão de 20 de julho a 7 de agosto, seguindo a mesma rota feita pelo Exército do libertador Simón Bolívar.

"Hoje, a um ano do bicentenário da independência, nos reunimos aqui em Tame, onde, em junho de 1819, o general Bolívar e o general Francisco Santander se reuniram para relançar a rota da liberdade selada com a batalha da ponte de Boyacá", lembrou Uribe.

Aproximadamente 800 homens das Forças Armadas participaram da parada militar em Tame, que foi muito mais modesta que em outros anos e desta vez aconteceu sem a presença das forças especiais.

Terminado o desfile militar, Uribe abriu um show com artistas nacionais no estádio de Tame. Assim como nessa localidade, cerca de 200 mil artistas se apresentaram hoje nos outros 1.101 municípios da Colômbia. EFE fer/sc

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