Explosões de carros-bomba em hoteis matam 36 em Bagdá

Por Haider Kadhim BAGDÁ (Reuters) - Três carros-bomba sacudiram hoteis conhecidos de Bagdá na segunda-feira, matando pelo menos 36 pessoas e pondo fim a um período de um mês e meio de calmaria nos ataques coordenados à capital iraquiana, enquanto o país se prepara para uma eleição em março.

Reuters |

A polícia disse que pelo menos 71 pessoas ficaram feridas nos ataques suicidas distintos com carros-bomba, que explodiram em intervalos de alguns minutos. Alguns dos mortos são policiais. Dados do Ministério da Saúde apontam para menos mortos.

A primeira explosão ocorreu perto da entrada do hotel Ishtar Sheraton, um marco de Bagdá no lado oriental do rio Tigre. O choque da explosão destruiu portas, desperdiçou janelas e provocou uma nuvem espessa de poeira que cobriu o escritório da Reuters, nas proximidades.

Uma nuvem gigante de poeira subiu do local da explosão, enquanto ambulâncias e carros de bombeiros corriam para lá. Helicópteros sobrevoavam o local, e soldados barravam o acesso de pessoas.

Os altos muros de concreto que protegiam contra explosões o hotel situado no bulevar Abu Nawas, a beira-rio, tombaram como dominós. A explosão ocorreu diante de um parque frequentado por famílias e pessoas que faziam piqueniques.

O prédio não é usado como hotel regular há anos, abrigando principalmente escritórios de empresas e algumas organizações de mídia, mas alguns grupos internacionais de turismo de aventura tinham começado a usá-lo como hotel no ano passado.

A jornalista iraquiana Zina Tareq, que estava em seu escritório no momento da explosão, contou que escondeu-se debaixo de uma mesa, com a filha de 5 anos de uma colega.

"Ouvimos um ruído ensurdecedor. O teto desabou sobre nós, e as janelas se despedaçaram", contou. Outro colega ficou ferido com estilhaços de vidro.

A polícia disse que outra explosão aconteceu diante do hotel al-Hamra, que desde a invasão americana de 2003 é muito frequentado por jornalistas ocidentais. Um repórter ocidental disse que o hotel sofreu grandes danos. O The Washington Post informou que três de seus funcionários iraquianos ficaram feridos.

Casas desabaram perto do hotel Hamra, e a defesa civil procurava sobreviventes. A explosão no Hamra abriu uma cratera gigantesca na calçada, como aconteceu com a explosão no Sheraton.

Uma última bomba parece ter sido detonada perto do hotel Babylon, usado por viajantes iraquianos e ocasionalmente em reuniões governamentais.

A área em volta do hotel já foi atingida várias vezes no último ano por disparos de foguetes e morteiros cujo alvo seria a embaixada dos EUA, situada do outro lado do rio na fortemente guardada Zona Verde.

O general Qassim al-Moussawi, porta-voz de segurança de Bagdá, avaliou as baixas em sete mortos e 51 feridos, citando informações do Ministério da Saúde. As mortes em ataques de grandes proporções vêm aumentando a incerteza política no período que antecede a eleição marcada para 7 de março.

O último grande ataque em Bagdá tinha acontecido em 8 de dezembro, quando uma série de explosões de carros-bomba matou mais de 100 pessoas. Em 25 de outubro e 19 de agosto, 250 pessoas ao todo morreram em ataques suicidas contra prédios governamentais.

A eleição de março é um momento crítico para o Iraque, no momento em que o país emerge da matança sectária desencadeada pela invasão de 2003 e começa a fechar acordos multibilionários com empresas petrolíferas mundiais, acordos esses que podem preparar o terreno para sua prosperidade futura.

(Reportagem adicional de Aseel Kami e Ahmed Rasheed)

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