Explosivos são encontrados em grande loja de Paris a menos de dez dias do Natal

Explosivos sem detonadores foram encontrados na loja de departamentos Printemps em Paris, um ato reivindicado à AFP por um grupo desconhecido que exigiu que a França retirasse suas tropas do Afeganistão antes do final de fevereiro de 2009.

AFP |

Esta descoberta, em um bairro povoado de grandes lojas muito freqüentadas do centro de Paris a menos de dez dias do Natal, foi feita em um contexto no qual a França se vê diretamente ameaçada, devido à presença militar no Afeganistão.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, reafirmou nesta terça-feira sua atitude de "firmeza" contra o terrorismo, fazendo um apelo à "vigilância" de todos para diminuir o risco de atentados.

"Tenho a mesma convicção desde 2002: a vigilância ante o terrorismo é a única opção possível, pois, infelizmente, tudo pode acontecer, e firmeza, porque não se transige com o terrorismo", declarou Sarkozy ao término de um discurso ante o Parlamento Europeu.

A ministra do Interior, Michèle Alliot-Marie, foi ao local, protegido por um cordão de isolamento instalado em volta da loja do Printemps.

"Cinco bananas de dinamite, relativamente antigas, foram encontrados nas descargas dos banheiros do terceiro andar. O dispositivo não era operacional", explicou.

O lugar onde estavam foi revelado com precisão em uma carta enviada e recebida nesta terça-feira pela AFP e assinada pela "Frente Revolucionária Afegã", um nome até então desconhecido na França, segundo o ministério das Relações Exteriores.

Na carta, redigida em um francês com erros gramaticais, a Frente exigiu a retirada das tropas francesas do Afeganistão, ameaçando com eventuais atentados.

"Levem esta mensagem a seu presidente da República: se ele não retirar suas tropas de nosso país (o Afeganistão) antes do fim de fevereiro de 2009, vamos atacar suas grandes lojas de capitalistas, e desta vez não haverá advertência", diz o texto.

A Frente Revolucionária Afegã destacou, em sua nota enviada à AFP, que uma das bombas que deveria explodir antes de quarta-feira estava localizada "no terceiro andar, no banheiro".

"Se vocês não chamarem alguém antes de quarta-feira, elas vão explodir", insistiu o grupo, na carta.

Alliot-Marie alertou, no entanto, que as indicações contidas na carta "podem não ser confiáveis".

Na quarta-feira passada, um correspondente anônimo contactara a AFP para informar que uma bomba explodiria no Printemps, sem dar mais detalhes.

As três lojas do grupo em Paris haviam sido evacuadas pela polícia, por medida de precaução.

O departamento antiterrorista da brigada criminal parisiense foi encarregado da investigação. Os policiais se deslocaram à sede da AFP para pegar a carta.

Em um vídeo aparentemente datado do mês de agosto mas divulgado em novembro, um chefe militar dos talibãs ameaçara conduzir ações contra Paris se os franceses não se retirassem do Afeganistão.

O vídeo também assumia a emboscada de 18 de agosto, na qual morreram dez soldados franceses no Afeganistão.

"Daquela vez matamos somente dez franceses, mas se eles não se retirarem do Afeganistão nossa reação será ouvida em Paris", ameaçava no vídeo Faruq Akhun Zadeh, um líder talibã.

A França reforçou a presença no Afeganistão, onde estão mobilizados cerca de 2.600 soldados franceses.

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