Pequim, 29 ago (EFE).- Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas na província chinesa de Yunnan, junto à fronteira com Mianmar (antiga Birmânia), por uma bomba lançada do país vizinho, informou hoje o jornal China Daily, na primeira informação oficial sobre vítimas do conflito birmanês em território chinês.

Os feridos, cuja identidade não foi divulgada, foram hospitalizados, destacou He Yongchun, vice-presidente do escritório provincial de Cruz Vermelha em Yunnan.

Mais de 30 mil pessoas, entre membros da minoria étnica Kokang (em conflito com a Junta Militar birmanesa há várias semanas) e empresários chineses habitualmente assentados no país vizinho se refugiaram em território chinês perante o recrudescimento do conflito, que ameaça se transformar em uma guerra civil.

O alto número de deslocados e as primeiras vítimas "chinesas" do conflito levaram ontem, sexta-feira, o Governo chinês a pedir a Mianmar que proteja suas fronteiras perante a avalanche de refugiados.

A maioria dos refugiados se encontra nas localidades chinesas de Nansan e Genma, alguns deles em casas de parentes e outros em hotéis, de acordo com a informação do "China Daily".

A China está cooperando no atendimento dos deslocados com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

O confronto entre a Junta Militar birmanesa e os Kokang explodiu no dia 7 de agosto, quando as autoridades de Mianmar enviaram à região desta minoria étnica um destacamento de policiais para inspecionar um local no qual se suspeitava que se fabricavam drogas ilegalmente.

A guerrilha dos Kokang, no Estado de Shan e uma mais das muitas formadas por minorias étnicas na periferia de Mianmar, assinou um acordo de paz com o Governo militar em 1989.

Os membros desse e outros movimentos armados de minorias étnicas asseguram que o Governo os está pressionando para que se desarmem e se transformem em partidos políticos.

Os confrontos entre a Junta birmanesa e uma dúzia de guerrilhas de vários grupos étnicos puseram em perigo os acordos conseguidos há duas décadas, por isso que os analistas advertem da possibilidade de uma guerra civil em grande escala em Mianmar. EFE abc/ma

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