Presidentes do comitê olímpico e da federação de futebol estão entre dez vítimas de ataque reivindicado pelo Al-Shabab

Uma explosão deixou ao menos dez mortos nesta quarta-feira na capital da Somália, Mogadíscio, durante uma cerimônia no recém-inaugurado teatro nacional do país. Duas autoridades do setor esportivo do país estão entre as vítimas do ataque, reivindicado pelo grupo rebelde islâmico Al-Shabab.

Quando a explosão aconteceu, o primeiro-ministro da Somália, Abdiweli Mohamed Ali, estava no palco e se preparava para discursar. Ele não ficou ferido, mas autoridades disseram que o presidente do comitê olímpico, Aden Yabarow, e o presidente da federação de futebol, Said Mohamed Nur foram mortos.

Homem ferido em ataque é levado para o hospital em Mogadíscio, na Somália
AP
Homem ferido em ataque é levado para o hospital em Mogadíscio, na Somália

O comitê olímpico lamentou a morte das duas autoridades. “Os dois estavam engajados em melhorar a vida do povo pelo esporte, por isso condenamos esse ato de barbárie”, afirmou. “A comunidade esportiva somali perdeu dois grandes líderes.”

O governo disse que o ataque foi suicida e cometido por uma mulher. Porém, o Al-Shabab afirmou, em seu site, que havia plantado os explosivos no teatro antes da cerimônia, que marcava o primeiro aniversário da TV nacional.

“A explosão aconteceu no momento em que músicos cantavam e o público aplaudia”, disse Salah Jimale, que participou da cerimônia e sofreu apenas alguns arranhões. “Uma nuvem de fumaça deixou tudo escuro. As pessoas corriam e os soldados começaram a atirar no portão. Algumas pessoas conseguiram sair e correram.”

O Teatro Nacional da Somália reabriu em 19 de março pela primeira vez em 20 anos, num evento que o governo disse demonstrar a notável melhora na segurança no país devastado por guerras no Chifre da África.

Rebeldes do Al-Shabab, que se retiraram da capital em agosto passado, continuaram a atingir alvos no coração da cidade costeira usando bombas em estradas, morteiros e homens-bombas. A milícia combate desde 2006 as tropas do governo e da Missão da União Africana na Somália (AMISOM), apoiadas por forças da Etiópia, para instaurar um Estado muçulmano de corte wahhabista no país.

Com AP e Reuters

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