Santiago do Chile, 6 mai (EFE) - A explosão produzida hoje pelo vulcão Chaitén, no sul do Chile, transformou suas duas crateras em uma de 800 metros de diâmetro, que conteve a lava lançada e evitou que essa escorresse em direção à localidade de mesmo nome, disseram especialistas e observadores. Em erupção desde sexta-feira passada, o vulcão de 960 metros lançou uma nuvem de fumaça, cinzas e material sólido, que alcançou 12 mil metros de altura e pode ser visto de Puerto Montt, capital da região de Los Lagos, a 200 quilômetros de distância. Como a lava escorreu para os vales, ela teria demorado 20 minutos para chegar a Chaitén, a dez quilômetros do vulcão, onde foi realizada uma operação para remover, por mar, as pessoas que permaneciam no local. Segundo o Escritório Nacional de Emergência (Onemi), em Chaitén havia hoje 384 pessoas, entre elas 80 carabineiros, 15 soldados das Forças Armadas, pessoal da Capitania dos Portos, 50 militares e 10 funcionários do próprio órgão, além de jornalistas e alguns moradores que não querem deixar suas casas. Mais de quatro mil habitantes de Chaitén foram evacuados nos primeiros dois dias de erupção para ilha Chiloé e à cidade de Puerto Montt. Também nesta segunda-feira teve início a retirada da população de Futaleufú, de 1.800 habitantes e 156 quilômetros ao nordeste de Chaitén, coberto por uma camada de 30 centímetros de cinzas.

A operação continuou nesta terça-feira através de uma caravana de ônibus enviada pelo Governo, que cruzará o território argentino para se deslocar até o norte e voltar a sólo chileno pela passagem Cardenal Samoré, a cerca de 900 quilômetros de Santiago.

A província de Palena, a 1.220 quilômetros de Santiago e cuja capital é Chaitén, não tem vias terrestres que a liguem ao resto do país.

O recrudescimento da erupção nesta terça-feira deu início a uma rápida operação para evacuar a já quase fantasma localidade de Chaitén.

Ao som das sirenes, Carabineiros coordenaram o deslocamento das pessoas para o porto, onde os navios da Marinha aguardavam para fazer a evacuação.

Uma mudança na direção do vento, que até agora tinha levado a nuvem de fumaça e cinza para território argentino, aumentou o risco para Chaitén, pois agora também caiu material sólido e incandescente sobre a localidade e outros lugares da província.

O vulcão lançou fluxos piroclásticos, compostos de gases tóxicos, cinzas e fragmentos de rocha, em altas temperaturas, disseram vulcanólogos do Serviço Nacional de Geologia e Mineração encarregados de vigiar a situação.

"A situação é muito complexa", disse o intendente da região de Los Lagos, Sergio Galilea, à edição eletrônica do jornal "La Tercera".

"A ordem é se dirigir imediatamente ao porto, onde há barcos da Marinha esperando para efetuar a evacuação", disse o funcionário, acrescentando que a retirada "deve ser total, completa e absoluta".

O general da Força Aérea Hugo Peña confirmou, após um vôo sobre o vulcão, a expulsão de lava, embora tenha ela tenha ficado retida na cratera, enquanto outro tipo de material foi absorvido pelos rios da região.

O material que saiu do vulcão com maior força se deslocou pelo curso dos rios Chana e Blanco, sem alcançar nenhum centro povoado, disseram as autoridades.

Até as 11h30 (12h30 em Brasília), a situação parecia mais calma, porém as autoridades mantiveram a ordem de evacuação, temendo uma nova explosão, declarou Galilea aos jornalistas.

Em Santiago, a presidente chilena, Michelle Bachelet, interrompeu uma atividade oficial para falar sobre a situação.

"Aparentemente, o vulcão Chaitén está explodindo de maneira muito forte e a ordem de evacuação completa foi dada, porque se sair lava do vulcão, o que é mais provável, demora 20 minutos até chegar a Chaitén", disse a governante.

Os mais reticentes a abandonar o local foram alguns moradores, principalmente idosos que se negam a deixar seus lares, e os jornalistas, a quem os carabineiros advertiram de que, em caso de uma catástrofe maior, deverão assumir as conseqüências.

"É imprevisível o tempo em que o vulcão poderia começar a lançar lava", afirmou o diretor regional do Onemi, Rodrigo Rojas.

O vulcanólogo Juan Callupi, no entanto, comentou que, apesar da aparente tranqüilidade que se seguiu à explosão de hoje, "o processo de erupção não pára", embora tenha dito que "a lava não traz grande perigo porque avança lentamente". EFE ns/rb/db

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