Explosão de uma mina IED deixa 30 mortos no sul do Afeganistão

Pelo menos 30 civis, incluindo sete mulheres e 10 crianças, morreram nesta terça-feira em um atentado contra um ônibus na província de Kandahar, sul do Afeganistão, segundo um novo balanço do ministério do Interior.

AFP |

"Trinta pessoas morreram: 10 crianças, sete mulheres e 13 homens. E outras 39 pessoas ficaram feridas", afirma o ministério do Interior em um comunicado.

A mina que explodiu é considerada, no jargão militar, como uma IED ("Improvised Explosive Devices"), uma bomba artesanal barata e uma verdadeira maldição no Afeganistão, onde já causou este ano baixas recordes entre os exércitos estrangeiros, as forças afegãs e os civis.

"Os insurgentes passaram para uma tática terrorista porque compreenderam a grande eficácia das bombas artesanais e dos ataques suicidas", explicou o general Jim Dutton, comandante adjunto das forças da Otana no país.

"É uma vitória rápida para eles e um grande trabalho para nós", acrescentou.

Segundo os especialistas, estas bombas são baratas e fáceis de fabricar, já que são feitas de um relógio, um sistema de controle à distânica e um detector de pressão que se ativa quando um veículo passa por cima delas.

Nos primeiros oito meses do ano, 40% dos civis mortos foram vítimas das IED ou em ataques suicidas, o que representa 600 pessoas, segundo as Nações Unidas.

"A mina foi colocada pelos inimigos do país", expressão utilizada pelas autoridades para designar os insurgentes islamitas, afirmou o governo local.

Um porta-voz habitual dos talibãs, Yusuf Ahmadi, negou o envolvimento dos insurgentes.

"Não fomos nós. Esta ação é obra das forças estrangeiras presentes no Afeganistão, a fim de destruir a reputação dos talibãs", disse em uma entrevista por telefone.

Este é o mais grave atentado contra civis cometido em um mês no Afeganistão.

O atentado aconteceu a mais de 40 km da cidade de Kandahar, a capital provincial.

Kandahar é um dos reduto dos talibãs e uma das províncias mais violentas do Afeganistão. A região é cenário de intensa violência.

Os combatentes muçulmanos e nacionalistas tomaram o poder em 1996, pondo fim à guerra civil que ensanguentava o Afeganistão, país que dirigiram com mão de ferro até o fim de 2001, quando foram derrubados por uma coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos.

Em 25 de agosto passado, um carro-bomba explodiu no centro da capital provincial, matando 43 pessoas.

Para tentar parar com esta onda de violência, o general americano Stanley McChrystal, comandante de 100.000 soldados estrangeiros, solicitou entre 10.000 e 40.000 soldados adicionais, um pedido que acontece num momento delicado para a administração dos Estados Unidos, onde a opinião pública questiona a presença de compatriotas em território afegão.

Nesta terça, o presidente Barack Obama afirmou que a guerra no Afeganistão não é uma batalha americana e sim uma missão da Otan, ao se reunir com o chefe da Aliança Atlântica Anders Fogh Rasmussen no Salão Oval.

"Esta não é uma batalha americana, é uma missão da Otan", declarou Obama aos jornalistas. "Estamos trabalhando ativa e diligentemente para consultar com a Otan em cada etapa do processo".

O secretário-geral da Otan concordou que a "operação no Afeganistão não é responsabilidade apenas dos Estados Unidos". "Continuará sendo um esforço de ewquipe", acrescentou.

"Estou de acordo como presidente Obama nesta abordagem: estratégia primeiro, depois os recursos", afirmou Rasmussen, acrescentando que os membros da Otan estão estudando um informe do comandante-geral da aliança, Stanley McChrystal.

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