Explosão de duas bombas atinge bairro xiita de Bagdá

Ataque no Iraque que deixou 18 mortos e 36 feridos ocorre dias depois do anúncio da retirada total das tropas americanas do país

iG São Paulo |

AP
Soldados americanos atuam em operação para impedir o contrabando de armas em Istaqlal, no norte de Bagdá, Iraque (8/8/2011)
Duas bombas explodiram nesta quinta-feira em uma movimentada rua comercial de um bairro xiita no nordeste de Bagdá, deixando 18 mortos e ferindo pelo menos 36, segundo informações de fontes policiais e hospitalares.

Dois policiais afirmaram à Associated Press que a primeira bomba, colocada em uma loja de instrumentos musicais, explodiu depois das 19h locais (14h de Brasília), deixando dois mortos. A segunda bomba rebentou quatro minutos depois, enquanto os serviços de emergência tentavam retirar os feridos.

Muitos iraquianos temem que a violência no país piore com a saída das tropas americanas do país, e com os insurgentes procurando explorar a instabilidade e as falhas nas forças de segurança. O presidente Barack Obama anunciou na sexta-feira que as últimas tropas americanas, que entraram no país em 2003 e derrubaram Saddam Hussein, deixarão o Iraque até o fim do ano .

"Eu fiquei parado do lado de fora da minha loja e vi carros queimados e corpos no chão", disse Ahmed Jalil, 27 anos, dono de uma mercearia próximo ao ataque no bairro de Ur, a nordeste de Bagdá. "A situação era terrível, e eu vi pessoas feridas sendo carregadas para carros da polícia", disse.

"O ataque de hoje prova que as afirmações do governo de que a segurança está sob controle não são nada além de alegações sem embasamento e que as dezenas de postos de controle espalhados pela capital são inúteis e uma perda de dinheiro", completou.

Mais cedo nesta quinta-feira, um francoatirador disparou e matou um guarda de trânsito e feriu outro no bairro de Saidiya, no sul da capital, e uma bomba explodiu perto de uma patrulha da polícia de trânsito no distrito nordeste de Cidade Sadr, ferindo dois policiais e um civil, de acordo com fontes policiais e médicas.

Bombas explodiram perto de duas patrulhas do Exército iraquiano em Bagdá nesta quinta-feira, ferindo oito civis, disseram as fontes.

A violência tem caído acentuadamente nos últimos anos após o massacre sectário de 2006-07, mas as forças de segurança iraquianas ainda estão lutando contra uma insurgência sunita letal e milícias xiitas que realizam dezenas de bombardeios e outros ataques a cada mês.

As forças de segurança iraquianas ainda dependem fortemente do serviço de inteligência americano, sua força aérea e vigilância. Também, as forças especiais dos EUA continuam a ajudar os iraquianos a perseguir insurgentes e grupos extremistas.

Atualmente, os EUA tem 39 mil soldados no Iraque e 31 de dezembro é o prazo final de um acordo de segurança entre Bagdá e Washington que foi negociado pela administração do então presidente George W. Bush (2001 - 2009).

Obama prometeu por fim a guerra brevemente assim que assumiu o poder em 2009. Líderes iraquianos queriam que 5 mil soldados americanos permanecessem no país como instrutores, mas sem imunidade perante a Justiça do Iraque . O comando militar americano no Pentágono recusou-se a aceitar essa condição.

Com AP e Reuters

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