Judith Mora. Londres, 23 jan (EFE).- Três exploradores britânicos viajarão ao Polo Norte para obter dados sobre a velocidade em que está derretendo o oceano glacial Ártico, na missão científica sobre mudança climática mais importante dos últimos tempos.

Pen Hadow, diretor da expedição; Ann Daniels, guia e responsável de administração, e o fotógrafo Martin Hartley partirão no final de fevereiro rumo à bacia do Canadá, de onde começarão sua travessia de cem dias até o Polo Norte geográfico.

Sua missão não é chegar ao Polo Norte, já que os três, veteranos exploradores, fizeram isso em outras ocasiões, mas reunir o máximo de informação sobre o gelo, a neve e a água, para que possa servir aos cientistas de instrumento para medir quantos anos de existência ainda restam a essa massa de gelo.

Para o projeto, que conta com um orçamento de 3 milhões de libras (3,2 milhões de euros), o engenheiro Michael Gorman, da Universidade de Cambridge, criou um radar portátil capaz de penetrar na superfície para determinar a espessura da camada de neve ou gelo.

Com este aparelho, chamado "Sprite", a equipe do Catlin Arctic Survey medirá em intervalos de 10 centímetros os 1,2 mil quilômetros que percorrerão desde seu ponto de partida, nas coordenadas 80ºN-140ºW.

Os cientistas ligados à missão, liderados por Wieslaw Maslowski, do departamento de oceanografia da Escola Naval da Marinha dos Estados Unidos, esperam que os dados reunidos com este sistema sejam mais fiéis que os obtidos até agora com o uso de satélites ou submarinos.

Atualmente, os cálculos sobre o tempo que ainda resta antes de o oceano Ártico derreter variam muito, com projeções entre 5 e 100 anos.

Por isso, "os políticos não têm material suficiente para basear suas decisões", assinalou Hadow esta semana.

Partes desse oceano, onde vivem espécies animais como ursos polares, focas e morsas, derretem a cada ano no verão, para voltar a se congelar no inverno, quando quase não há sol.

No entanto, nos últimos anos, em função da mudança climática, o ritmo desse derretimento aumentou, o que deu lugar a mais lagoas de água escura que absorvem a luz solar (ao contrário da neve, que a reflete) causando o aumento da temperatura da água e mais degelo.

Os três exploradores e Maslowski esperam apresentar seus resultados na cúpula sobre mudança climática que será realizada em dezembro em Copenhague, com o objetivo de melhorar os acordos do Protocolo de Kioto.

Obter os dados, que incluem a profundidade e temperatura da água sob o casco polar, não será fácil nas condições extremas da região, especialmente quando se leva em conta que todos devem arrastar trenós de mais de 100 quilos.

Daniels, chefe da administração da missão, se encarregará de encontrar a melhor rota, organizar as paradas e preparar a alimentação do grupo.

"O maior perigo é o congelamento dos dedos das mãos e dos pés, e não por medo de perdê-los, porque não nos importamos com isso, mas porque se isso acontecesse não poderíamos fazer nosso trabalho", explicou.

Hartley, equipado com luvas especiais para temperaturas de até 50 graus negativos, se dedicará a enviar diariamente fotos e vídeos da expedição, que conta com o apoio logístico de uma base no Canadá.

Tudo na expedição está minimamente calculado. A roupa, o equipamento, os alimentos, tudo deve ser prático, leve e imprescindível, já que "nada tem como objetivo o conforto", disse Daniels. EFE jm/mh

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