Experiência do México pode ajudar a controlar a gripe suína no Brasil

Primeiro país a registrar o surto da influenza A (H1N1), mais conhecida como gripe suína, o México passou a ser referência para os países que começam a detectar a presença do vírus em seu território, como é o caso do Brasil. Mas, após três semanas de guerra declarada ao novo vírus, o que o país tem a ensinar sobre esta batalha? Segundo explicou em uma coletiva de imprensa o analista da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) Oscar Mujica, para conter uma epidemia é preciso reduzir a taxa de reprodução do vírus.

BBC Brasil |

As formas de diminuir essa taxa, de acordo com Mujica, são controlar a eficiência de transmissão do vírus, o tempo que uma pessoa permanece infectada e a quantidade de pessoas com quem ela mantém contato.

"No México, estas três medidas foram tomadas, por meio de atendimento médico (...), proteção pessoal (...) e medidas de distanciamento social."
Durante doze dias, o México viveu em estado de alerta. Restaurantes, espaços de entretenimento, escolas e comércio foram impedidos de funcionar normalmente. Algumas indústrias passaram a trabalhar com turnos escalonados e diversas empresas pediram que seus funcionários trabalhassem de casa.

Por recomendação do presidente da República, Felipe Calderón, muitos permaneceram em suas casas e, aquelas pessoas que saíram às ruas, usaram máscaras de proteção e evitaram saudações com contato físico.

Segundo um estudo divulgado na sexta-feira pela Opas, se o México não tivesse adotado medidas de controle contra o vírus, poderiam ter sido registradas 8,6 mil mortes e cerca de 30 mil casos de hospitalização por causa da doença.

"Até o momento, observamos 45 mortes e 6.754 hospitalizações", disse o analista da Opas.

Hemisfério sul
Embora concorde que as medidas tomadas no México sejam acertadas, o diretor do Instituto de Biotecnologia da Universidade Autônoma do México, Carlos Arias, diz que ainda é cedo para adotá-las no Brasil, e adverte para o fato de que este é um vírus novo e pouco conhecido.

"O vírus da influenza, como foi identificado em 1998, já é difícil de entender. Agora há uma nova combinação de genes e não é possível prever seu comportamento. Tudo pode acontecer", diz.

Segundo o pesquisador, até 30% do novo vírus tem características diferentes da gripe sazonal. "Este valor é altíssimo e significa que o vírus pode ser bem diferente."
Arias acredita também que os outros casos de mortes no México que deram negativo para o novo vírus deveriam ser estudados com mais atenção.

"Pela minha experiência, estou convencido de que muitos casos em que há sintomas leves não são contabilizados simplesmente porque não se faz a análise", diz.

"Se seguirmos buscando apenas o vírus da influenza A (H1N1), podemos estar deixando de fora algum aspecto relevante. É possível que, pelo menos no caso do México, haja mais de um vírus atuando ao mesmo tempo", diz Arias.

O pesquisador afirma que ainda vai demorar para que se possa afirmar com certeza o que está acontecendo. Mas o que conforta um pouco, segundo ele, é saber que, embora o vírus se transmita com facilidade, é menos agressivo do que se supunha.

"Não parece ser a epidemia que se estava esperando, mas será importante observar como o vírus se portará no inverno do hemisfério sul", afirma.

Informação
Diante da confirmação de casos de gripe suína no Brasil, algumas pessoas foram às farmácias em busca de máscaras de proteção e do medicamento Tamiflu, com o qual estão sendo tratados os pacientes em todo o mundo.

"É uma reação compreensível mas, o importante, neste momento, é que se tenha informação", diz Arias. "O Brasil já tem o aprendizado do México e de outros 23 países que registraram casos antes."
Se o vírus não se portar de forma diferente no inverno, provavelmente, diz o pesquisador, esta será apenas uma gripe a mais.

"Os vírus mudam constantemente. Este é um experimento da natureza que, infelizmente, teve êxito."

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