Experiência de Fukuda não evita renúncia como primeiro-ministro

Fernando A. Busca.

EFE |

Tóquio, 1 set (EFE) - Yasuo Fukuda, conhecido pelo bom senso, renunciou hoje ao cargo de primeiro-ministro do Japão sem que sua experiência política tenha lhe ajudado a permanecer por mais tempo no posto mais alto do Governo japonês.

Aos 72 anos, Fukuda deixa o poder sem que as qualidades da política pelas quais foi eleito tenham lhe servido para colocar o Japão em um bom caminho em um momento de crise econômica.

Fukuda é um perfeito membro da elite política japonesa: tem um perfil discreto, além de ser filho do ex-primeiro-ministro Takeo Fukuda.

Ele fez de tudo para passar uma imagem de consenso, recuperou o rosto do Japão no cenário internacional com a organização da cúpula do Grupo dos Oito (G8, sete naçõs mais ricas do mundo e a Rússia), em Hokkaido, e manteve debaixo do tapete os escândalos de sua legenda, o Partido Liberal-Democrata (PLD).

Fukuda teve com quem aprender, pois, em 1977, foi seu próprio pai que, no cargo de primeiro-ministro, lhe abriu as portas da política.

Desde então, honrou o perfil pelo qual é conhecido, o de um homem que não faz muito barulho e que oferece o que se espera dele.

Casado e com três filhos, Fukuda não foi sempre um perfeito exemplar do partido que dirigiu o Japão quase ininterruptamente desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Ele nasceu em 16 de julho de 1936, na cidade de Takasaki, na província de Gunma, e, após uma infância e juventude próprias da classe nobre do momento, estudou Ciências Políticas e Econômicas na Universidade de Waseda, em Tóquio.

De 1959 até 1976, trabalhou para a companhia petrolífera Maruzen (agora Cosmo Oil) e foi enviado aos Estados Unidos entre 1962 e 1964, o que fez com que falasse inglês fluentemente.

Deixando de lado seu passado como petroleiro, Fukuda entrou para a política em 1977 como secretário particular de seu pai até 1989.

No ano seguinte, foi eleito parlamentar pela primeira vez e, desde então, conseguiu renovar seu mandato neste cargo por cinco ocasiões.

Após a renúncia de seu antecessor, Shinzo Abe, assombrado também por baixíssimos níveis de popularidade, Fukuda foi eleito vencedor pelo PLD no duelo com outro grande político, Taro Aso, o então ministro de Exteriores.

Desde então, tentou manter uma política conciliatória com os vizinhos poderosos, sobretudo a China. E, ao contrário do carismático Koizumi, não visitou o polêmico templo Yasukuni nenhuma vez como primeiro-ministro.

Entre suas conquistas também conta o fato de que conseguiu convencer a Coréia do Norte a desenterrar um assunto capital para a opinião pública do Japão: o assunto dos japoneses seqüestrados por agentes norte-coreanos nos anos 1970 e 1980.

Apesar das rasteiras dadas pela oposição, Fukuda trabalhou também para continuar com a renovação dos cargos orgânicos da alta administração e conduzir a economia em um momento difícil.

Entretanto, menos de um ano após ser eleito, ele deixa o Governo fazendo malabarismos para esconder os altos e baixos de sua liderança, com seu rival Taro Aso transformado em um poderoso secretário-geral do PLD e homem forte da política japonesa. EFE fab/rb/db

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