Expectativa sobre veredicto marca 1 ano de julgamento de Fujimori

Lima, 10 dez (EFE).- O julgamento por violação dos direitos humanos contra Alberto Fujimori completa hoje um ano e entra em sua reta final, com a expectativa sobre a decisão dos juízes, prevista para fevereiro próximo, e o estado de saúde do ex-presidente peruano.

EFE |

Fujimori é julgado desde 10 de dezembro do ano passado pelo assassinato de 25 pessoas nos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), assim como pelos seqüestros de um jornalista e um empresário após o golpe de Estado de 1992.

Todas as partes envolvidas sempre concordaram sobre a transparência do processo, embora os detratores do ex-governante (1990-2000) tenham expressado sua preocupação com a recente escolha de Javier Villa Stein como presidente da Suprema Corte.

"Apesar de ser certo (que o processo) demorou mais do que pensamos, houve transparência", disse hoje à Agência Efe Gloria Cano, uma das advogadas da parte civil.

O advogado de Fujimori, César Nakazaki, ressaltou que "o julgamento jurídico é impecável" e "está no tempo adequado por suas complexidades".

Em declarações à rádio "RPP", Nakazaki também se queixou por alguns meios de comunicação já terem sentenciado Fujimori e "estejam preparando a opinião pública para que só veja como justa uma sentença condenatória", que deve ser de 30 anos de prisão, segundo a Promotoria.

O diretor da Associação Pró-Direitos Humanos (Aprodeh), Miguel Jugo, disse à Efe que se "preocupa" com as credenciais do próximo presidente da Suprema Corte que, segundo ele, tem vínculos com fujimoristas.

Jugo frisou que Villa Stein "tem a responsabilidade de nomear a corte" que julgará Fujimori em segunda e definitiva instância, já que se prevê que, após decisão da Sala Penal Especial, sua defesa apele da sentença.

O julgamento, que estava previsto terminar este mês, foi adiado em várias oportunidades, principalmente devido ao estado de saúde do acusado, de 70 anos.

O ex-chefe de Estado foi submetido a uma cirurgia por uma lesão cancerígena na língua em junho passado e, além disso, teve diagnosticado um quisto no pâncreas, que se somam a problemas de pressão e circulação.

O diretor da Aprodeh assegurou que o estado de saúde de Fujimori não deve determinar a decisão em si, embora não tenha descartado que o ex-presidente "possa pedir um benefício posterior, um indulto de caráter humanitário".

No julgamento falaram 90 testemunhas, entre elas sobreviventes do massacre de Barrios Altos, membros do grupo militar Colina - considerados autores materiais das execuções extrajudiciais durante o regime fujimorista - e até o ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos, que teve seu depoimento anulado.

Após isso, o processo entrou em uma "etapa de letargia" com a leitura de provas, mas se acredita que será retomado em 15 de dezembro, quando retomadas as audiências, com a apresentação das alegações finais antes da sentença, indicou hoje o advogado penal Julio Rodríguez à "RPP".

Esse julgamento "é o mais importante da história peruana", assegurou a advogada Cano, que confiou que culmine "com uma sanção, a dignificação das vítimas e a reconciliação da democracia".

A Promotoria pediu 30 anos de prisão para Fujimori, a quem acusou de ser "autor imediato" dos massacres de Barrios Altos e La Cantuta, mediante seu planejamento, organização e direção.

No entanto, Nakazaki insiste que as provas da Promotoria "são insuficientes" porque não se comprovou que seu cliente é o autor imediato dos massacres, embora não descarte uma condenação. EFE wat/rr

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