Ex-oficial nazista de 90 anos é preso para cumprir perpétua na Alemanha

Heinrich Boere foi condenado por matar a tiros três civis holandeses quando era membro de esquadrão da SS na Segunda Guerra

EFE |

Heinrich Boere, de 90 anos, começou a cumprir nesta quinta-feira uma sentença de prisão perpétua por matar a tiros três civis holandeses quando era membro de um esquadrão da SS nazista durante a Segunda Guerra (1939-1945).

A prisão ocorreu após uma sucessão de recursos contra a condenação, imposta há um ano. O condenado ingressou no hospital penitenciário de uma prisão da Renânia do Norte-Vestfália, no oeste da Alemanha, informaram fontes da procuradoria de Aachen.

Boere, que na década de 1950 foi condenado à morte à revelia na Holanda e viveu durante décadas sem problemas na Alemanha, residia em um asilo de idosos em Aachen desde que recebeu sua sentença em março de 2010.

Ele foi finalmente transferido para a prisão após uma equipe de legistas decidir que está em condições de cumprir a pena mesmo sofrendo de doenças cardíacas.

A sentença na Alemanha foi o fim de um longo processo contra o ex-integrante das SS, que é executor confesso de membros da resistência, e chega com 64 anos de atraso em relação às mortes e 61 anos depois da primeira condenação na Holanda.

Sentado em uma cadeira de rodas, Boere ouviu a leitura da sentença, que declarou como provado que ele, um dos 15 membros do comando Feldmeijer - estabelecido para eliminar os membros da resistência -, executou três civis em 1944.

O réu tinha então 22 anos e havia ingressado nas SS com 18, por "puro fanatismo e convicção", de acordo com suas declarações. A tarefa do Feldmeijer era assassinar suspeitos de pertencer à resistência após buscá-los em suas próprias casas. Sua forma de atuação consistia em bater à porta das residências, conferir a identidade dos procurados e matá-los a tiros.

O processo diz respeito a três das cerca de 50 execuções que Boere cometeu. Durante o processo, três filhos de duas de suas vítimas participaram como parte da acusação.

Nascido em 1921 em Eschweiler (a 100 km da fronteira com a Holanda), Boere foi preso pelos aliados antes do fim da Segunda Guerra, quando confessou ser o autor dos assassinatos durante os interrogatórios do período.

Em 1947, ele fugiu do campo de prisioneiros e permaneceu sete anos escondido na Holanda, coincidindo com o julgamento em que foi condenado à morte - pena depois substituída pela prisão perpétua.

Após anos na clandestinidade, voltou à Alemanha e desde 1945 viveu tranquilamente em sua cidade natal sem esconder que tinha participado da SS. Em 2000, o Escritório Central sobre os Crimes do Nazismo abriu uma investigação contra Boere, e as acusações foram lidas no mesmo asilo onde residia até atualmente.

Em 2009, foi aberto outro processo em Aachen paralelamente ao de Munique contrao ucraniano John Demjanjuk, extraditado dos EUA em maio deste ano após esgotarem todos os recursos judiciais. O julgamento de Demjanjuk terminou com a condenação a cinco anos de prisão pelas mortes de 28 mil judeus no campo de concentração de Sobibor, na Polônia. Assim como Demjanjuk, Boere ouviu a sentença em uma cadeira de rodas, mas foi liberado logo em seguida pela idade avançada.

O caça-nazistas Efraim Zuroff, do Centro Simon Wiesenthal de Jerusalém, lançou na quarta-feira em Berlim a chamada "Operação Última Chance 2", após denunciar que, segundo suas estimativas, centenas desses criminosos continuam livres.

Zuroff disse que, entre abril de 2010 e março deste ano, foram abertos no mundo todo 584 processos contra criminosos nazistas. Na lista dos mais procurados está Alois Brunner, estreito colaborador de Adolf Eichmann, assim como o médico nazista Aribert Heim, conhecido como "Dr. Morte".

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