Ex-número um do PC de Xangai é condenado a 18 anos de prisão por corrupção

O ex-número um do Partido Comunista de Xangai, Chen Liangyu, foi condenado nesta sexta-feira a 18 anos de prisão, tornando-se o mais alto líder da China a ser preso por corrupção em mais de dez anos.

AFP |

Liangyu, de 61 anos, foi declarado culpado de aceitar subornos e de abuso de poder por um tribunal da cidade de Tianjin, leste de Pequim, informou a agência oficial Nova China.

Contatado pela AFP, o tribunal se recusou a confirmar o caso.

Chen Liangyu é o mais alto dirigente do regime chinês a ser condenado por corrupção desde 1995. Na época, o ex-prefeito de Pequim, Chen Xitong, foi condenado a 16 anos de prisão.

Depois de ser despedido do cargo e excluído do partido, Chen Liangyu, preso em Pequim segundo a China News, foi indiciado em 26 de março por seu envolvimento em um escândalo do fundo de pensões para a capital econômica e financeira da China.

O antigo número um de Xangai havia admitido ser "parcialmente responsável", mas se recusou a se considerar culpado, segundo a imprensa da China.

Segundo matérias anteriores da mídia chinesa, Chen foi acusado de ter recebido 2,39 milhões de iuans (mais de cinco milhões de reais), uma parte dos quais foi entregue a sua mulher e ao seu filho.

Em 2006, um inquérito revelou desvios em fundo de pensão de Xangai, com um valor de bilhões de yuanes para financiar investimentos em infra-estrutura e projetos imobiliários especulativos.

Em março, a Administração Estatal chinesa responsável pelo controle das contas revisou para cima o montante desviado, citando quase 34 bilhões de yuanes (quase oito bilhões de reais). O escândalo levou à cidade a investigar inúmeros funcionários e líderes empresariais.

Antes de sua queda em setembro de 2006, Chen era um alto funcionário do regime chinês, assim como um membro do gabinete político do Comitê Central do Partido.

Em outubro, no 17o Congresso do Partido Comunista, o líder Hu Jintao denunciou a "corrupção" e o "desvio" de alguns dirigentes do Partido e apelou para uma maior luta contra estes fenômenos que ameaçam "a sobrevivência do partido".

Entre outros casos recentes de corrupção com altos funcionários, está o de Zheng Xiaoyu, ex-ministro encarregado da Administração Estatal de alimentos e medicamentos na China, que foi condenado à morte e executado em julho do ano passado.

Para alguns analistas, o caso de Chen Liangyu também proporcionou a Hu Jintao uma chance de se livrar de um rival político, pertencente ao "clã de Xangai".

O ex-secretário do Partido de Xangai era muito próximo do ex-presidente Jiang Zemin, que precedeu Hu Jintao.

"O caso de Chen tem um significado mais político do que jurídico. Com ele, o clã de Xangai quase desapareceu", disse Wong Yiu-Chung, professor da Universidade Lingnan de Hong Kong.

bur-frb/fb

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