Ex-negociador nuclear acusado de espionagem é condenado à prisão no Irã

Teerã, 8 abr (EFE).- Um tribunal iraniano condenou nesta terça-feira a dois anos de prisão o ex-porta-voz da equipe negociadora iraniana em matéria nuclear Hossein Musavian, acusado de espionagem, mas suspendeu sua pena, segundo um porta-voz do Poder Judiciário iraniano.

EFE |

O porta-voz, citado pela agência "Irna", indicou que o tribunal considerou Musavian culpado de "prejudicar a segurança do Estado" e decidiu, além disso, impedir que ocupe qualquer cargo político ou em uma instituição governamental durante cinco anos.

"A sentença é apelável e o tribunal decidiu suspender a pena de prisão após levar em conta sua história e o que tinha oferecido (ao Irã)", disse o porta-voz.

Musavian foi absolvido das acusações em novembro do ano passado, mas a Procuradoria rejeitou essa decisão e exigiu que fosse julgado.

Seu caso foi visto pelos comentaristas como um sinal da rivalidade entre a corrente ultraconservadora do regime iraniano, liderada pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e a ala menos conservadora do ex-presidente Hashemi Rafsanjani, agora responsável pela influente Assembléia de Analistas.

O ministro da Inteligência do Irã, Mohseni Eyei, aliado de Ahmadinejad, tinha afirmado que seu departamento tinha provas segundo as quais Musavian tinha transmitido informações secretas sobre o programa nuclear iraniano à "embaixada britânica e a alguns estrangeiros".

Mussavian é um aliado de Rafsanjani, que também é chefe do Conselho de Determinação, e conhecido por sua rivalidade com Ahmadinejad.

O ex-porta-voz nuclear era assessor internacional do ex-secretário do Conselho Supremo da Segurança Nacional iraniano Hassan Rohani, outro aliado de Rafsanjani.

Em abril, Musavian foi preso em seu domicílio por agentes dos serviços de Inteligência iraniana, que confiscaram computadores e documentos, mas depois obteve a liberdade sob pagamento de fiança.

A sentença contra o ex-negociador foi anunciada quando o Irã comemora hoje o chamado Dia Nacional de Energia Nuclear, no qual Ahmadinejad anunciou a instalação de seis mil novas centrífugas para o enriquecimento de urânio, muito mais capazes do que as três mil que o país já possui em Natanz (centro). EFE fa/mac/db

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