Ex-motorista nega ter apoiado planos de Bin Laden

Um ex-motorista do líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, afirmou ser inocente nesta segunda-feira, no primeiro julgamento por crimes de guerra realizado na prisão americana da Baía de Guantánamo. O iemenita Salim Hamdan, de 37 anos, é acusado de conspiração e de dar apoio ao terrorismo.

BBC Brasil |

Se condenado, ele pode ser condenado à prisão perpétua.

Os advogados de defesa de Hamdan haviam questionado o direito do tribunal militar de submeter seu cliente a julgamento.

Pelo menos 270 suspeitos ainda estão detidos na prisão da base militar de Guantánamo.

A expectativa é de que o julgamento dure de três a quatro semanas e que até 24 testemunhas do Departamento de Defesa sejam ouvidas.

Morteiros
Hamdan foi capturado em uma operação militar em uma estrada no Afeganistão, em novembro de 2001.

Na ocasião, segundo as forças dos Estados Unidos, ele estaria transportando dois morteiros em seu veículo.

Mas os advogados de defesa afirmam que ele era apenas um motorista e mecânico, sem qualquer papel nas atividades realizadas pela rede Al-Qaeda contra os Estados Unidos.

Hamdan foi levado para Guantánamo em maio de 2002 e foi um dos primeiros detidos no presídio a ser processado.

Interrogatórios
Os Estados Unidos já indiciaram até o momento 20 prisioneiros de Guantánamo, e autoridades militares estimam que, ao todo, 80 presos serão processados.

O juiz que comanda o caso, o capitão da Marinha Keith Allred, sinalizou no início dos procedimentos judiciais, nesta segunda-feira, que não aceitará que o governo americano utilize como evidência supostas provas obtidas por interrogadores durante o período em que Hamdan esteve detido no Afeganistão.

Os advogados de defesa afirmam que os depoimentos de Hamdan colhidos na ocasião foram obtidos por meio de coação e que os interrogadores não advertiram seu cliente de que ele poderia estar se auto-incriminando.

Em junho, a Suprema Corte americana determinou que presos detidos em Guantánamo deveriam ter o direito de levar seus casos a tribunais civis.

Mas, na semana passada, uma nova decisão judicial determinou que o julgamento de Hamdan poderia ter início sem que houvesse contradição com a decisão da Suprema Corte.

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