Ex-motorista de Bin Laden é considerado culpado nos EUA por apoiar terrorismo

Washington, 6 ago (EFE) - Salim Hamedan, ex-motorista de Osama bin Laden, foi declarado culpado hoje por dar apoio material ao terrorismo, no primeiro julgamento de crimes de guerra realizado pelos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. O veredicto foi emitido dez dias depois do início do julgamento nas polêmicas comissões militares criadas pelo Governo do presidente americano, George W. Bush, para julgar os casos relacionados com terrorismo, após os atentados de 11 de setembro de 2001.

EFE |

Hamedan poderia ser condenado à prisão perpétua por ter sido considerado culpado de cinco das acusações específicas contra ele relacionadas com apoio ao terrorismo, segundo fontes do Departamento de Defesa americano, que não deu outros detalhes.

A Promotoria acusava Hamedan, de origem iemenita, de conspirar e apoiar o terrorismo, assim como de servir ao líder da organização terrorista Al Qaeda no Afeganistão durante mais de cinco anos e de participar da trama dos atentados de 2001.

Hamedan, que reconheceu ter sido motorista de Bin Laden, se declarou inocente no decorrer do julgamento e negou ter jurado lealdade ao líder da Al Qaeda e à organização terrorista.

A defesa de Hamedan alegou que o acusado trabalhou para Bin Laden porque precisava dos US$ 200 mensais que recebia de salário, mas não pertencia à Al Qaeda, e o comparou com um "contratado civil" como os que trabalham para o Pentágono.

Pouco antes de se conhecer a sentença, a defesa de Hamedan disse que temia que o veredicto de culpabilidade fosse inevitável.

"O sistema do tribunal especial de Guantánamo parece feito para conseguir declarar culpados os detidos", disse o advogado, que se queixou do fato de esta instituição ter admitido provas que não teriam sido aceitas em nenhuma corte civil.

Estes tribunais foram criticados pelas organizações de direitos humanos e questionados pela Suprema Corte.

Em junho, o máximo tribunal americano admitiu que os supostos terroristas, considerados "combatentes inimigos ilegais" pelo Governo, tinham direito de questionar nas cortes ordinárias dos EUA a legalidade de sua detenção.

Os advogados de Hamedan apresentaram um requerimento na Corte do Distrito de Columbia para tentar deter o julgamento em Guantánamo, mas o Tribunal Federal decidiu pela continuidade do processo.

O julgamento não esteve isento de polêmica, já que, após a tentativa dos advogados de interrompê-lo, o juiz do tribunal militar, o capitão Keith Allred, decidiu omitir algumas provas por considerar que tinham sido obtidas em interrogatórios de condições "altamente coercitivas".

Posteriormente, Allred aceitou a inclusão do oficial que interrogou Hamedan em 2003, diante dos protestos da defesa ao alegar que seu cliente sofreu maus-tratos, isolamento e humilhação sexual durante esses interrogatórios.

Entre as provas apresentadas, a defesa entregou ao tribunal mensagens de Khalid Sheikh Mohammed, suposto cérebro dos atentados em 2001 nos EUA, que afirmou que Hamedan não tinha qualquer papel na organização terrorista.

Um porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto, manifestou hoje a satisfação do Governo americano com o desenvolvimento do julgamento.

"Estamos satisfeitos porque Salim Hamedan teve um julgamento justo", disse Fratto, para quem foi respeita a presunção de inocência do acusado e que o réu teve a oportunidade de se defender das acusações que havia contra ele.

"O sistema das comissões militares é justo e apropriado para os processos legais que se seguem contra os detidos que foram acusados de cometer crimes contra os Estados Unidos ou seus interesses", afirmou.

Fratto disse que o Governo espera que o resto dos casos seja levado a julgamento nestes tribunais.

Hamedan foi capturado no Afeganistão em novembro de 2001 com dois mísseis terra-ar no porta-malas de seu automóvel e foi entregue ao Exército americano.

Em maio de 2002, foi levado a Guantánamo e, pouco depois, se tornou um dos primeiros prisioneiros a enfrentar acusações de crimes de guerra. EFE elv/rb/db

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