Ex-motorista de Bin Laden é condenado a 5 anos e meio de prisão

Washington, 7 ago (EFE).- O júri da comissão militar de Guantánamo condenou hoje o ex-motorista de Osama bin Laden, Salim Hamdan, a cinco anos e meio de prisão, pelo crime de apoio ao terrorismo.

EFE |

A sentença representa um duro golpe para a Promotoria, que hoje havia pedido pelo menos 30 anos de detenção e recomendado a prisão perpétua para Hamdan.

Segundo esta condenação, Hamdan poderia sair em liberdade em apenas seis meses, uma vez que o juiz militar, o capitão Keith Allred, já tinha determinado a exclusão de cinco anos de prisão da sentença, que já cumpriu na prisão de Guantánamo, em território cubano.

No entanto, o Governo deixou aberta a possibilidade de "deter indefinidamente" Hamdan e outros "inimigos combatentes" enquanto continua a guerra contra o terrorismo.

A sentença foi notificada a Hamdan pelo júri, composto por cinco homens e uma mulher, que o havia declarado culpado, na quarta-feira, de cinco das oito acusações de apoio material ao terrorismo.

O júri militar, designado pelo Pentágono, absolveu o ex-motorista de Osama bin Laden de duas acusações de conspiração para cometer atentados terroristas.

Sob as normas das comissões militares, a sentença é emitida por um júri, e não por um juiz.

Com a notificação da sentença de Hamdan, é concluído o primeiro julgamento por crimes de guerra levado a cabo pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial, que durou 10 dias.

Agora, seu caso será revisado automaticamente pela autoridade responsável das comissões militares, que avaliará os argumentos legais do caso e analisará se a sentença é apropriada.

Hamdan poderá ter acesso à sua defesa Hamdan e terá a possibilidade de recorrer da sentença.

Depois, seu caso será revisado pela Corte de Revisão das Comissões Militares.

Em última instância, Hamdan pode recorrer perante tribunais civis e pedir o amparo da Corte de Apelações do Distrito de Columbia e da Suprema Corte.

Antes que o júri militar se retirasse para deliberar sobre a sentença, Hamdan compareceu pela última vez perante os seis membros para pedir desculpas pelo dano que pode ter causado às vítimas americanas com seu trabalho para Bin Laden, e pediu para não ser condenado à prisão perpétua.

Em seu comparecimento, Hamdan reconheceu que continuou trabalhando para Osama bin Laden mesmo após saber que o líder da rede terrorista Al Qaeda tinha planejado atentados terroristas.

De pé e cabisbaixo, Hamdan reiterou que seu único motivo para trabalhar para Bin Laden foi porque "necessitava de um emprego".

Segundo ele, o líder da Al Qaeda lhe pagava um bom salário e lhe tratava com respeito, mas afirmou que, após algum tempo, "sua opinião sobre Bin Laden mudou".

Hamdan admitiu que sabia que seu chefe estava por trás dos atentados contra duas embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, em 1998, e contra o destróier USS Cole, no porto de Áden, no Iêmen, em 2000.

"Foi um grande choque para mim quando me dei conta do que estava fazendo aquele que tinha me tratado (...) com respeito, consideração e cordialidade", disse Hamdan, que apesar disso, seguiu trabalhando para Bin Laden.

"Não tinha outra opção. Decidi voltar mais uma vez a meu trabalho no Afeganistão com Bin Laden", se justificou perante o júri.

Pouco depois, ocorreram os atentados de 11 setembro de 2001. Dois meses depois, ele foi detido, quando levava sua esposa à fronteira do Afeganistão com o Paquistão.

Hamdan não estava sob juramento quando fez estas declarações, com as quais deseja conseguir uma sentença menos severa.

O juiz militar, o capitão Keith Allred, já determinou a exclusão de cinco anos de prisão da sentença, anos que já passou na prisão da base naval de Guantánamo, em território cubano.

O júri começará esta noite a deliberar para determinar uma sentença. Segundo as normas das comissões militares, a sentença deve ser emitida pelo júri, e não pelo juiz.

A decisão não tem que ser unânime. Um assessor legal do Pentágono revisará depois a sentença, e terá capacidade de reduzi-la, mas não de aumentá-la.

A sentença será revisada automaticamente por um tribunal militar de apelações em Washington, e Hamdan pode recorrer perante um tribunal civil. EFE cai/gs

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