Ex-motorista de Bin Laden denuncia maus tratos sofridos em Guantánamo

Washington, 15 jul (EFE).- O ex-motorista de Osama bin Laden, Salim Hamdan, depôs hoje como testemunha em um tribunal militar, onde será julgado na próxima semana, e falou sobre as humilhações sofridas durante os sete anos em que ficou detido em Guantánamo.

EFE |

Os advogados de Hamdan enfrentam uma batalha legal para tentar impedir que seu cliente seja julgado por crimes de guerra por um tribunal militar, como está previsto para o próximo dia 21 de julho.

O argumento foi amparado na decisão do Tribunal Supremo de Justiçam que disse em junho que os supostos terroristas - que para o Governo americano são "combatentes inimigos ilegais" - têm direito a questionar perante os tribunais locais a legalidade de sua detenção.

Hamdan disse ao tribunal que foi agredido e ameaçado de morte após sua captura no Afeganistão. Além disso, contou como os guardas batiam à porta de sua cela para despertá-lo à noite, antes dos interrogatórios.

"Voltava a tentar dormir e o soldado voltava de novo em cinco ou dez minutos", disse.

Nas resoluções preliminares desta semana, os advogados de Hamdan pediram ao juiz da corte militar, o capitão de Marinha Keith Allred, que não se leve em conta as declarações de seu cliente feitas nos interrogatórios.

Seu advogado, Charles Swift, que conduz o caso de Hamdan desde que foi capturado no Afeganistão em novembro de 2001, já tinha denunciado que, após ser detido, seu cliente foi agredido e viu outro dos detidos morto na prisão.

O Departamento de Justiça pediu hoje a um juiz federal de Washington que estuda o pedido dos advogados de Hamdan que não pare o processo e permita que o julgamento militar siga seu curso.

Hamdan, que admitiu ter sido motorista de Bin Laden, é acusado de conspiração e de fornecer material de apoio a terroristas.

A Promotoria o acusa de ser membro da organização terrorista Al Qaeda, enquanto seus advogados sustentam que ele era membro de uma companhia de transportes que cobrava US$ 200 mensais.

Os advogados de Hamdan já conseguiram uma vitória contra o Governo de George W. Bush em 2006, quando questionaram o sistema original de tribunais militares estabelecido depois dos ataques terroristas contra os EUA em setembro de 2001, e a Corte Suprema decidiu a seu favor. EFE elv/rb/plc

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