Salim Hamdan, ex-motorista do líder da rede Al-Qaeda, Osama bin Laden, será transferido nesta terça-feira para o Iêmen, após permanecer por quase sete anos na prisão americana de Guantánamo, graças a um acordo entre os EUA e o governo iemenita, informou a embaixada deste último, em Washington.

O traslado de Hamdan, na faixa dos 40 anos, é muito significativo, depois das negociações bloqueadas entre ambos os países há três anos.

Seu processo, o primeiro organizado em Guantánamo, foi emblemático dos excessos da "guerra contra o terrorismo", já que ele foi condenado a apenas cinco anos e meio de prisão, contra os 30 reclamados pelo governo americano.

"Recentemente, fomos informados de que Salim Hamdan será solto. Esperamos que volte para o Iêmen esta semana", informou à AFP Mohammed Albasha, responsável pelas Relações Públicas da embaixada do Iêmen em Washington.

Albasha fez referência a "negociações complexas" entre os dois países envolvidos.

Detido no final de 2001, no Afeganistão, o ex-motorista de Osama bin Laden - que é casado e tem duas filhas, sendo que uma ele ainda não conhece - foi enviado para Guantánamo em maio de 2002. Diz ter sofrido maus-tratos e ficado em completo isolamento.

Acusado de "complô" e de "apoio material ao terrorismo" em 2003, foi declarado culpado da segunda acusação por uma corte militar apenas no início de agosto. O júri considerou que não esteve diretamente envolvido nas atividades de seu empregador.

Foi o primeiro detento processado pelo sistema especial de tribunais militares instaurado pelo atual governo dos EUA.

O veredicto representou um duro golpe para a Casa Branca e, como reação, o Pentágono anunciou que, uma vez cumprida a pena, o cidadão iemenita continuaria preso como "combatente inimigo", denominação essa que autoriza uma detenção ilimitada, aos olhos do governo Bush.

Sua repatriação constitui o primeiro acordo bem-sucedido entre o governo de Washington e o de Sanaa sobre os presos de Guantánamo. Trata-se, porém, de um caso particular e não implica outras solturas de imediato.

Cerca de 100 dos 250 reclusos da "guerra contra o terror" são iemenitas.

Durante a campanha eleitoral, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou que fechará o presídio da base de Guantánamo.

"Pode ser que os recentes comentários da equipe de Obama sobre o fechamento de Guantánamo tenham ajudado a resolver a negociação", comentou o porta-voz da embaixada iemenita.

mou-lum/tt

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