Manesh Shrestha Katmandu, 11 jun (EFE).- O ex-monarca Gyanendra do Nepal abandonou hoje o Palácio Real de Katmandu, entre cânticos a seu favor e contra, e prometeu continuar trabalhando pelo bem-estar dos nepaleses, quinze dias depois da declaração da República e a abolição da Monarquia no país do Himalaia.

Segundo disseram testemunhas à Agência Efe, centenas de pessoas se amontoaram nos limites do Palácio de Narayanhiti para se despedir do ex-rei.

Após a proclamação da República no Nepal em 28 de maio, que pôs fim a 240 anos de Monarquia, o Governo interino deu um prazo de 15 dias ao ex-monarca para que deixasse seu palácio, um prazo que se completava hoje.

Em entrevista coletiva realizada horas antes, Gyanendra assegurou ter "lutado pela independência do Nepal" e acrescentou seu desejo de "trabalhar pelo benefício" do país.

"Sempre vou contribuir para o bem-estar e para a tranqüilidade do país. Espero que todo o mundo me ajude" nesta tarefa, disse o ex-rei em um grande ato realizado no Palácio de Narayanhiti.

"O país está passando por um período crítico. A Monarquia esteve com o povo nos momentos bons e nos maus", declarou o ex-rei da dinastia Shah.

Gyanendra também se defendeu das "insinuações" contra a sua figura, em alusão ao massacre real de junho de 2001, quando seu irmão mais velho e então rei, Birendra, morreu com outros oito membros da família no Palácio.

Segundo a versão oficial, o autor do regicídio foi o príncipe herdeiro, Dipendra, que se suicidou após matá-los.

No entanto, muitos nepaleses continuam achando que foi o próprio Gyanendra quem planejou o regicídio. O monarca subiu ao trono logo após o incidente.

Gyanendra rejeitou estas suspeitas e insistiu que fez de "tudo" para defender "os direitos do povo nepalês".

"Se os direitos são violados, o povo tem que entender a situação", acrescentou Gyanendra, que dissolveu o Parlamento nepalês em 2002 durante a guerra aberta entre o Governo e a guerrilha maoísta, e em 1º de fevereiro de 2005 assumiu o poder absoluto do país.

O Governo interino concordou em ceder a Gyanendra o seu palácio de verão, de Nagarjuna, para ser sua residência. Ele está situado no alto de uma colina nos arredores de Katmandu.

Já o Palácio de Narayanhiti se transformará agora em um museu, segundo a resolução aprovada pela Assembléia Constituinte em sua primeira reunião, na qual deu por abolida a Monarquia.

A Câmara nepalesa celebrou hoje sua terceira sessão, embora os principais partidos do país não tenham chegado a nenhum novo acordo.

As eleições do mês de abril passado culminaram em um processo de paz aberto em 2006, após dez anos de guerra entre o Governo e a guerrilha maoísta.

Os maoístas se impuseram nas eleições, embora a formação do Governo ainda não tenha ocorrido.

O Partido do Congresso do ainda primeiro-ministro Girija Prasad Koirala, os leninistas e os maoístas têm que concretizar as funções do presidente, uma figura que concordaram criar.

Nos últimos dias já se especulava o nome do futuro presidente, que seria o de uma personalidade da sociedade civil.

As principais forças do Nepal também devem concordar se o Governo pode ser dissolvido com dois terços dos votos da Câmara, como querem os maoístas, ou com maioria simples. EFE ms-amp/bm/plc

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