Ex-ministros são os principais rivais de Karzai nas eleições afegãs

CABUL - Os ex-ministros do governo de Hamid Karzai no Afeganistão Abdullah Abdullah, das Relações Exteriores, e Ashraf Ghani, da Fazenda, são os principais adversários do atual presidente nas eleições de 20 agosto, as segundas consultas democráticas realizadas no país desde a queda dos talebans em 2001.

Redação com agências internacionais |

Entre os 40 concorrentes do atual presidente, o "Doutor" Abdullah é apontado pelos analistas como o mais provável a levar a disputa para um segundo turno, após passar cinco anos como líder da diplomacia afegã. Desde que deixou o governo, Abdullah é conhecido pelas duras críticas dirigidas ao atual mandatário.


Abdullah Abdullah é o favorito para levar a disputa ao 2º turno / Reuters

"Karzai tinha tudo nas mãos, mas foi desastroso. Não há nenhuma razão para lhe dar mais cinco anos", afirmou em um recente comício.

Apresentando uma campanha incansável, o ex-chanceler aumentou consideravelmente nas últimas semanas suas chances de vencer, acreditam os observadores. A violência e o desemprego crescente são apontados como um dos fatores que enfraquecem o atual governo e podem impulsionar a carreira de opositores.

Nascido em 1960, casado e pai de quatro filhos, o oftalmologista construiu sua reputação durante três décadas como o braço direito do "herói nacional" Ahmad Shah Massoud, famoso pela resistência à ocupação soviética e taleban, assassinado em 9 de setembro de 2001.

Abdullah frequentemente denuncia a "falta de conexão" entre o governo Karzai e da população, que sofre pela corrupção e pela crescente violência. "A segurança está se deteriorando, a situação política é caótica, os problemas das pessoas não são tratados como deveriam", disse recentemente.

Filho de uma tadjique, uma das minorias étnicas do país, com um pashtun, analistas apontam que essa "descendência dupla" pode ainda ser um fator de agregação de votos. Abdullah afirma estar otimista com o resultado das eleições. "Se tivermos uma eleição crível e transparente, o povo do Afeganistão poderá fazer as melhores escolhas para si".

Uma pesquisa americana publicada no domingo coloca o ex-chanceler na segunda posição, com 25% dos votos, atrás de Karzai, que teria 45%, o que apontaria um segundo turno.

Economista no páreo

Outro candidato indicado como possível adversário de Karzai em um segundo turno é o economista Ashraf Ghani, ex-ministro da Fazenda, que tem como objetivo de campanha "tirar o país da pobreza".


Ashraf é economista e baseia sua campanha no tema / AFP

Esse professor universitário de 60 anos, que renunciou à sua cidadania americana, promete aos afegãos um "novo começo". Ghani possui um programa de 20 anos destinado a impulsionar a economia, uma das mais pobres do mundo, além de tentar retirar os jovens da guerra.

O economista tem ainda a meta inicial de que "em dentro de dois anos, 60% da população esteja indo na direção certa", explicou recentemente, em Cabul.

Ex-funcionário do Banco Mundial, Ghani é doutor pela prestigiada Universidade de Colúmbia em Nova York, e permaneceu no governo afegão de 2002 a 2004.

Ele adquiriu uma reputação de eficiência e confiabilidade internacionalmente, mas ainda é pouco conhecido no seu país. Um dos planos de campanha é "dividir o país em sete zonas econômicas", para melhor gerência de todo o país.

Cerca de 17 milhões de afegãos são esperadas para comparecer às 7.000 seções de votação, onde serão realizadas simultaneamente as eleições provinciais, sob proteção da polícia e de 300.000 soldados. No total, 41 candidatos, incluindo duas mulheres, concorrem à presidência.

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