Ex-ministro sérvio confirma acordo Holbrooke-Karadzic

O ex-ministro servo-bósnio Aleksa Buha disse neste sábado à Rádio Belgrado que foi testemunha, em 1996, de um acordo entre o emissário americano, Richard Holbrooke, e Radovan Karadzic, que garantia imunidade ao então líder dos sérvios na Bósnia.

AFP |

"Holbrooke prometeu formalmente que Karadzic não seria levado ao tribunal de Haia se abandonasse definitivamente a vida pública", afirmou Buha, que até 1998 foi ministro das Relações Exteriores da Republika Srpska, a entidade sérvia da Bósnia.

Segundo Buha, a promessa de Holbrooke foi realizada durante uma reunião em Belgrado "na noite de 18 para 19 de julho de 1996", da qual participaram Slobodan Milosevic, então presidente iugoslavo, Milan Milutinovic, na época chanceler da Iugoslávia, e Momcilo Krajisnik, um alto dirigente dos servo-bósnios.

Karadzic, que na quinta-feira passada compareceu ao Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPI), em Haia, afirma que Richard Holbrooke, um dos artífices do acordo de paz na Bósnia, em 1995, lhe prometeu imunidade em troca de sua saída da vida pública.

O ex-líder dos sérvios da Bósnia, acusado de genocídio e crimes de guerra, teria contado com a proteção da CIA até 2000, quando a agência de inteligência americana interceptou conversas telefônicas que mostraram claramente que ele seguia dirigindo seu partido político, o SDS, revelou neste sábado o jornal sérvio Blic, que cita fontes da inteligência dos EUA.

Segundo a fonte citada pelo jornal, talvez não haja um documento escrito confirmando o acordo, "mas sei que Holbrooke admitiu que garantias verbais foram dadas a Karadzic nas mais altas esferas do poder" americano.

"Em novembro de 2000, no momento das eleições gerais na Bósnia, a CIA ficou sabendo que Karadzic seguia dirigindo o SDS (partido nacionalista sérvio fundado por ele no início dos anos 90), apesar do acordo estipulando que não poderia se envolver com atividades políticas".

"Em 2000, houve uma reunião do SDS na localidade de Bijeljina (leste da Bósnia) dirigida pessoalmente por Karadzic. Ele dava instruções aos militantes e designava os membros da direção que deviam ser substituídos, além das pessoas que deveriam ser nomeadas", acrescentou a fonte.

"Karadzic esteve pessoalmente envolvido em todas as atividades do SDS. Os americanos ficaram furiosos quando perceberam, e decidiram então suspender a proteção informal" com a qual contava o ex-chefe dos sérvios da Bósnia, concluiu a fonte.

Segundo o jornal sérvio, o acordo concluído com a CIA também protegia Karadzic de outros serviços de inteligência, principalente os franceses e britânicos.



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