Ex-ministro e presidente do Senado são presos na Tunísia

Prisões ocorrem dias após primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi prometer levar corruptos à Justiça

EFE |

O ex-ministro do Interior da Tunísia e atual presidente do Senado, Abdallah kallel, e Abelaziz Ben Dhia, antigo responsável da Defesa e principal conselheiro do presidente deposto Zine el-Abidine Ben Ali, foram detidos e estão em prisão domiciliar, informou hoje a agência oficial tunisiana TAP. Mais tarde, o proprietário da emissora Hannibal, maior canal privado de televisão do país, Larbi Nasra, também foi preso sob a acusação de cometer "alta traição".

Um terceiro colaborador do presidente destituído, Abdelwahab Abdalah, ex-ministro conselheiro de Ben Ali e conhecido por ter controlado durante anos com rigor a imprensa do país, "está sendo investigado", segundo a agência oficial.

Abdallah Kallel, como presidente do Senado, foi uma das figuras que acompanharam e ladearam a Mohamed Ghannouchi durante sua posse como presidente do país nos primeiros momentos após a fuga de Ben Ali. Posteriormente Ghannouchi foi substituído à frente do Estado pelo presidente do Parlamento, Fued Mebaza, a cujo juramento também assistiu Kallel.

Ministro do Interior durante sete anos no período de maior repressão da oposição política na Tunísia, Kallel organizou a detenção de perto 15 mil opositores, especialmente islamitas, mas também militantes de partidos laicos e organizações de direitos humanos.

Em sua época à frente do Interior, um partido islamita foi considerado ilegal e centenas de dirigentes foram presos ou exilados, entre eles seu atual líder Rachid Ghannouchi. O ex-ministro da Defesa, que foi dado como morto nos primeiros momentos após a saída de Ben Ali foi encarregado nos últimos anos do anterior regime dos assuntos internos como principal conselheiro do presidente e um dos arquitetos de sua política.

O atual primeiro-ministro do governo de transição, Mohamed Ghannouchi, afirmou há poucos dias que todos os responsáveis dos casos de corrupção e abuso de poder no país "serão levados diante da Justiça".

Larbi Nasra, por sua vez, foi preso foi detido por "alta traição e complô contra a segurança de Estado"."Larbi Nasra atuava com seu canal para frustrar a revolução dos jovens, espalhar a desordem, incitar a desobediência e a difusão de informações falsas com o objetivo de criar um vazio constitucional e sabotar a estabilidade do país e empurrá-lo para o caos", afirmou uma fonte citada pela TAP. A ação dele pretendia, segundo a mesma fonte, "favorecer o retorno do ex-ditador Zine El Abidine Ben Ali".

Com informações da EFE e da AFP

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